Oi?

Enfim,
nu,
como vim.

Paulo Leminski

30 março 2007

- Moleque, vergonha mesmo é ser pego roubando coisas pequenas.
- Tipo o quê?
- Ah, sei lá, tipo o rabino lá...
- Que rabino?
- Aquele do cabelo grisalho estilo jovem guarda.
- Ah, só. Pô, que tem ele?
- Po, foi pego na gringa roubando cueca, gravata, sei lá.
- Sério?
- Sério.
- E ele é rico, né?
- Claro. Você já viu judeu pobre?
- Não. Nem enterro de anão.
- Então, pra mim vergonha é isso aí. Você é um rabino bam bam bam de São Paulo. Vive falando de D´us. Vai na televisão pedir pena de morte e o caralho. Um belo dia tu tá lá, loja de grife na gringa, metendo várias cuecas, meias, calcinhas e gravatas no bolso, amarradão, curtindo a adrenalina, aí vem o segurança e te ganha.
- É memo. Boto fé que eu chorava.
- Eu também. Enfim, magina só.
- É foda.
- Ô.
- Mas aí, sabe o que eu não entendo?
- O quê?
- Porque que neguinho famoso sempre é cleptomaníaco, doente, viciado em roubar, e nunca simplesmente o bom e velho ladrão.
- Ah, sei lá. Acho que o senso comum parte da idéia estapafúrdia que a elite financeira, por não ter a necessidade de cometer furtos para sobreviver, se rouba é por estar doente. É essa mania de por doença em tudo.
- Sinal dos nossos tempos: o covarde tem síndrome do pânico, o frescão tem depressão, menino levado tem distúrbio bipolar e ladrão é cleptomaníaco.
- É.

17 março 2007

Vamos
o Alabama é logo ali

Fomos
o Alabama virou aqui

Blues
Já não te quero mais

Paz
já não te quero blues

Sim
prefiro Salamanca

Manda
Afinar o tamborim

Enfim
estamos em Salamanca

E aqui
não é tão bom assim

Vida
que te quero ver

Onde
me deixa te tocar

Passa
Me leva com você

Porque
na hora de morrer
não quero ter

saudades