Oi?

Enfim,
nu,
como vim.

Paulo Leminski

24 novembro 2008

- Tá bom. Então me diz: dói?
- Não.
- Nada?
- Nadinha.
- Porra, como assim?
- Não importa o que fizeram do homem...
- ... mas sim o que o homem faz do que fizeram dele. Sartre.
- Isso.
- Tá, mas e daí?
- Daí que não dói, porra. Ou melhor: não importa se dói ou não, importa o que eu faço com a dor. Eu posso simplesmente não acreditar nela. Aí não dói.
- Sei, sei... tipo "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional"?
- Não, caralho. Tu não entende nada. Carlos Drummond de Andrade era viado. Itabira, oh, Minas Gerais... nostalgia... bicha louca. Eu, nesse momento, to evitando a dor. Inevitável? Viadão.
- Bicha mesmo?
- Até os ossos. Mas bora, pára de falar e costura essa porra logo. Porque o sangue, diferentemente da dor, é concreto, e se continuar escorrendo tanto eu morro rápido.
- Tá.