Oi?

Enfim,
nu,
como vim.

Paulo Leminski

24 novembro 2008

- Tá bom. Então me diz: dói?
- Não.
- Nada?
- Nadinha.
- Porra, como assim?
- Não importa o que fizeram do homem...
- ... mas sim o que o homem faz do que fizeram dele. Sartre.
- Isso.
- Tá, mas e daí?
- Daí que não dói, porra. Ou melhor: não importa se dói ou não, importa o que eu faço com a dor. Eu posso simplesmente não acreditar nela. Aí não dói.
- Sei, sei... tipo "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional"?
- Não, caralho. Tu não entende nada. Carlos Drummond de Andrade era viado. Itabira, oh, Minas Gerais... nostalgia... bicha louca. Eu, nesse momento, to evitando a dor. Inevitável? Viadão.
- Bicha mesmo?
- Até os ossos. Mas bora, pára de falar e costura essa porra logo. Porque o sangue, diferentemente da dor, é concreto, e se continuar escorrendo tanto eu morro rápido.
- Tá.

12 comentários:

Milla Helmine disse...

"- Não importa o que fizeram do homem...
- ... mas sim o que o homem faz do que fizeram dele. Sartre."

Ai, a importância disso na minha vida é irônica demais.
É verdade tão central que às vezes não faz diferença nenhuma.

É, não dói.

Mah disse...

ai que saudade eu tava dos textos do Danylton....

Srta. Clichê! disse...

Não dói... Só de quando em vez!
Só sangra... Sangra de vez em sempre!
F.E.R.I.D.A. C.R.Ô.N.I.C.A.


[Ei, favoretei seu blog... Beleza?!]

Vitor Camargo disse...

Volta em grande estilo, hã...

Igor disse...

Fã de carteirinha

Gustavo disse...

Um jovial conto de natal.

Chico Motta disse...

dói, sim...

Ana Juca disse...

dói demais, mas nem todo mundo consegue assumir.. essa é a diferença!

Milla Helmine disse...

Saudade de ler você.

Milla Helmine disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Milla Helmine disse...

Saudade de ler você, há décadas.

Juliana disse...

peço desculpas pela invasão, mas achei o blog e gostei muito. dediquei um selo pra vc. se não se interessar, fica o elogio :)