Oi?

Enfim,
nu,
como vim.

Paulo Leminski

08 abril 2010

Papo curto

1) Roçou o bigode e levou um cigarro a boca. Na mão o copo de Campari, tão bonito de se ver de tão vermelho, metade vazio: era um dia metade vazio. Não acendeu o cigarro, não bebeu o Campari e nem se matou.

2) Era uma vez uma diva que subiu ao palco e, diante do público, perdeu a voz. Entupida de música, fugiu chorando pro camarim. O produtor aproximou-se e, não tendo o que dizer, em silêncio a abraçou. Ela lhe enfiou as unhas no pescoço, como se dissesse "que as palavras não ditas tomem no meio do cu".

3) Acontece que ele não tocou pra mim, e eu tava na cara do gol, professora, e ele quis driblar todo mundo, só pra se aparecer, professora, e eu na cara do gol, professora, ai eu falei palavrão, desculpa, professora, mas ele não tocou a bola pra mim, e eu tava na cara do gol, professora.

4) Desde que se aposentou, ele acorda bem cedinho pra ir comprar pão. Na padaria toma dois conhaques. Volta pra casa mascando chiclete de menta e tosta o pão na frigideira. Acorda a mulher dizendo "eu te amo" e serve o pão com café. Aí ele se senta diante da tevê e passa o dia todo pensando nos conhaques de amanhã.

5) Me beija? Não. E na cabeça do meu pau?