Oi?

Enfim,
nu,
como vim.

Paulo Leminski

23 novembro 2010

Morde a isca, o cão
O cego pisca em vão
O pobre lambe o chão
por dez centavos

Morde a isca, o cão
Cianureto no pão
Não vai latir mais não,
coitado

O cego pisca em vão
como se ali houvesse
algo pra ver que justificasse
o lubrificar da retina

O pobre lambe o chão
por dez centavos
que postos na poupança,
com muito suor e esperança
daqui há cinquenta anos poderão
virar pedra ou pão

Hoje não
o cão morto sorriu
o cego não viu, ouviu
o pobre fez uma canção

Hoje não
Vá pra puta-que-o-pariu
Tua mãe, teu pai, o Brasil
o Tony Ramos e o Betinho -
principalmente o Betinho

No sapatinho
vai ter tiro de canhão
e no meio da confusão
vai é sobrar ninguém

Só o cão que já morreu
o pobre que já morreu
o cego que já morreu
você e eu

5 comentários:

Pedro MacDowell disse...

isso tem que virar samba!

Anônimo disse...

Queria saber mais sobre você, autor

Leonino Anônimo disse...

quando crescer, quero ser poeta como você.

Portifólio virtual disse...

Bom para carai véi!!
IUHAAAA

Ps:num virou samba mais
Virou quadrinho

Caixoote disse...

http://caixoote.blogspot.com/