<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667</id><updated>2012-02-05T07:08:37.591-02:00</updated><category term='futebol'/><title type='text'>Contra a maré</title><subtitle type='html'>Eu não vi aquele filme, não li aquele livro, mas, sinceramente, detestei os dois. Vou falar sobre tudo o que não sei e mais um pouco.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-161028341440408645</id><published>2011-08-19T01:06:00.001-03:00</published><updated>2011-08-19T01:09:18.937-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O maior sofredor do mundo é o estrangeiro. Quando vai-se embora, na estação do trem, é lágrima nos olhos - Deus te guie, meu filho - e lencinhos balançado no ar, dando tchau. Passados dois dias o quarto virou dispensa e é saco de arroz em cima de disco, lata de óleo em cima da escrivaninha, pacote de macarrão na estante. Até que chega o dia em que o irmão mais novo deita a bicicleta em cima da cama, e esse momento é como quando o astronauta crava a bandeira no solo da Lua e sinaliza que aquele planeta, de hoje em diante, fala outra língua.Quando o estrangeiro chega ao seu destino, não tem ninguém lhe esperando. Não tem abraço, que saudade, como foi de viagem?. Tem só desembarcar a mala e procurar o ponto de ônibus com papelzinho com endereço anotado a bic dentro da carteira. Ô, cobrador, pode me avisar quando chegar na Rua Felicidade?&amp;nbsp;Passam os dias e os diabos e o estrangeiro pensa que virou nativo. Liga pra casa, já não reconhece a voz da família, ouve notícias triviais com um desânimo compreensível. Promete voltar nas férias. Nem sabe ainda que o quarto onde perdeu o cabaço é agora o lar das furadeiras, panelas, extrato de tomate e rolo de macarrão.Quando desliga o telefone, pensando que é nativo, quer ver naquelas pessoas - com as quais tem que conviver e das quais queria, sinceramente, aprender a gostar - algo como uma cumplicidade, uma sinalização de que estamos todos no mesmo barco, você é conterrâneo, ou algo que o valha. É no olhar silencioso daqueles que o acolhem sem acolhimento que o estrangeiro percebe que não é nativo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vida roda a vida e o estrangeiro, aprovado no vestibular, crê que construiu um lar. E gosta das pessoas - são como se fossem minha família - e gosta dos lugares - parece que eu cresci aqui - e vai a entrevistas de estágio e a cinemas sem errar o ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até que o estrangeiro, cujo estrangeirismo, mesmo que sufocado, grita, torna-se inimigo. É fácil ver nele um outro que não merece alteridades gentis: &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Courier New', Courier, monospace;"&gt;nem do Xingu o filho da puta veio, nem tamborzinho ele sabe tocar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Abaixo o Estrangeiro!", inimigo dos movimentos sociais, cujxs membrxs faíscam seus &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Courier New', Courier, monospace;"&gt;olhinhos verdes&lt;/span&gt; ao denunciar seu alvo político e enquanto esvoaçam c&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Courier New', Courier, monospace;"&gt;abelos amarelos jeitos educados dedos de pianistas pés de bailarinas xs ratxs de museu chacretes de truffaut férias na europa sobrenome europeu comida natural sandálias de couro novos baianos na vitrola oficinas de teatro gente de teatro atrizes e atores e coreógrafos e muito jazz com pouca pica com pouca raça com pouca criatividade com pouca história com pouca roupa com muita grana &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;com merda com e&amp;nbsp;&amp;nbsp;o &lt;/span&gt;Estrangeiro se apequena envergonhado do seu não-lugar e abaixa a cabeça e fica tudo em seu lugar e quando liga pra casa encontra uma família que já não lhe reconhece.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;eu sei eu sou pardo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-161028341440408645?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/161028341440408645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=161028341440408645' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/161028341440408645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/161028341440408645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2011/08/o-maior-sofredor-do-mundo-e-o.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-7373647425786212908</id><published>2011-05-30T17:21:00.000-03:00</published><updated>2011-05-30T17:21:35.707-03:00</updated><title type='text'>vovô</title><content type='html'>disse que teve um amigo coroa que ganhou cartorze vez na loteria esportiva - e naquela época, disse, a loteria esportiva pagava muito bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;disse que era paulistano e ficara viúvo há vinte e cinco anos e então partira pro mato grosso do sul, município de alta floresta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;disse que ficou por lá porque era bom pra caminhoneiro, muita fazenda, muita carga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;disse que ia sempre pro acre levando ração de galinha e de lá trazia madeira de cerejeira até que um dia a polícia acreana furtou seu caminhão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;disse que tinha seis filhos, o mais velho com 42, e que tava em brasília resolvendo a papelada pra se aposentar, tinha 43 anos de contribuição mas lhe faltavam alguns documentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;disse que estava hospedado na funerária (baixo astral, heim? nada, dá lucro, sabia?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;disse que só podia com plaza que todos os outros cigarros do mundo davam-lhe pigarro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu fiquei louco pra pedir: topa ser meu avô? mas senti vergonha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-7373647425786212908?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/7373647425786212908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=7373647425786212908' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/7373647425786212908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/7373647425786212908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2011/05/vovo.html' title='vovô'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-2621056330758890286</id><published>2010-11-23T01:28:00.000-02:00</published><updated>2010-11-23T01:28:23.061-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Morde a isca, o cão&lt;br /&gt;O cego pisca em vão&lt;br /&gt;O pobre lambe o chão&lt;br /&gt;por dez centavos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morde a isca, o cão&lt;br /&gt;Cianureto no pão&lt;br /&gt;Não vai latir mais não,&lt;br /&gt;coitado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cego pisca em vão&lt;br /&gt;como se ali houvesse&lt;br /&gt;algo pra ver que justificasse&lt;br /&gt;o lubrificar da retina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pobre lambe o chão&lt;br /&gt;por dez centavos&lt;br /&gt;que postos na poupança, &lt;br /&gt;com muito suor e esperança&lt;br /&gt;daqui há cinquenta anos poderão&lt;br /&gt;virar pedra ou pão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não&lt;br /&gt;o cão morto sorriu&lt;br /&gt;o cego não viu, ouviu&lt;br /&gt;o pobre fez uma canção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não&lt;br /&gt;Vá pra puta-que-o-pariu&lt;br /&gt;Tua mãe, teu pai, o Brasil&lt;br /&gt;o Tony Ramos e o Betinho -&lt;br /&gt;principalmente o Betinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sapatinho&lt;br /&gt;vai ter tiro de canhão&lt;br /&gt;e no meio da confusão&lt;br /&gt;vai é sobrar ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só o cão que já morreu&lt;br /&gt;o pobre que já morreu&lt;br /&gt;o cego que já morreu&lt;br /&gt;você e eu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-2621056330758890286?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/2621056330758890286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=2621056330758890286' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/2621056330758890286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/2621056330758890286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/11/morde-isca-o-cao-o-cego-pisca-em-vao-o.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-3964301093005981693</id><published>2010-11-16T04:16:00.001-02:00</published><updated>2010-11-16T04:22:06.333-02:00</updated><title type='text'>O rei da poesia</title><content type='html'>Pra fazer um bom poema&lt;br /&gt;Tem que ter bons ideais&lt;br /&gt;Tem que amar a Iracema&lt;br /&gt;ou querer viver em paz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ser um cabra doente&lt;br /&gt;na cabeça um caldeirão&lt;br /&gt;Sopa de ódio fervente&lt;br /&gt;com&amp;nbsp;sêmen&amp;nbsp;e manjericão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra ser um bom escritor&lt;br /&gt;tem que ser um bom rapaz&lt;br /&gt;Daqueles que vêem amor&lt;br /&gt;até nas páginas policiais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou um cabra mal resolvido&lt;br /&gt;com uma infância infeliz&lt;br /&gt;metade&amp;nbsp;terrível bandido&lt;br /&gt;metade modelo e atriz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era o rei da poesia&lt;br /&gt;mas vacilei&lt;br /&gt;fui fazer terapia&lt;br /&gt;e não voltei&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-3964301093005981693?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/3964301093005981693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=3964301093005981693' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/3964301093005981693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/3964301093005981693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/11/o-rei-da-poesia.html' title='O rei da poesia'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-7229233926963058193</id><published>2010-11-06T20:01:00.000-02:00</published><updated>2010-11-06T20:01:03.361-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ele passou um rádio lá de dentro e disse "é pra tocar o terror". Aí eu avisei os torre do Partido, liguei o cara dos equipamentos e a molecada da pista. A locomotiva parou, jão. São Paulo é grande mas não é dois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-7229233926963058193?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/7229233926963058193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=7229233926963058193' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/7229233926963058193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/7229233926963058193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/11/ele-passou-um-radio-la-de-dentro-e.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-5943435021413412287</id><published>2010-09-29T23:00:00.002-03:00</published><updated>2010-09-29T23:04:35.584-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem um sonho que eu sonho sempre, desde pequeno, quando meu sonho era ser astronauta e o meu lanche predileto era sonho de padaria. Não: eu não gosto de sonho de valsa. Não: meu sonho nunca foi ser jogador de futebol e eu tenho até um certo medo de dormir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nunca sonhei que tava voando. Eu nunca sonhei com um cavalo branco, eu nunca vi um cavalo branco, eu não&amp;nbsp;sei nem pensar em um cavalo branco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meu sonho que eu sonho sempre, eu tou no metrô. Não é o metrô de São Paulo nem de Nova York. É o metrô do Max Paine, aquele joguinho de video-game. Não tem nada de real nesse metrô: os mendigos são projeções holográficas da Rockstar Games, nenhum toca saxofone, nem uma moeda os filhos da puta sabem pedir e o aroma suave que eu sinto não é de mijo, é de Baré. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu entro no trem e o trem não é de video-game. É uma maria-fumaça, feito a de Sinhá Moça, mas eu não me sinto em 1850 e nem dentro do livro do Lauro Cézar Muniz. Eu me sinto com sono e adormeço em pé. O vagão está vazio e eu já não vejo os mendigos figurantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chego à minha estação e a voz do Ice Blue anuncia: &lt;em&gt;estação Arniqueira. &lt;/em&gt;Mas o trem não pára. Eu me assusto e penso em pular, mas a porta não se abre. E eu fico nessa angústia por horas a fio: dentro de um trem vazio,&amp;nbsp;hermeticamente fechado&amp;nbsp;e moto-contínuo. A tortura só acaba com o despertar do rádio-relógio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem eu acordei, depois desse sonho, com muita vontade de chorar, mas optei por forçar o vômito.&amp;nbsp;Depois de expelir toda a bílis,&amp;nbsp;uma certeza&amp;nbsp;se me aconteceu:&amp;nbsp;eu teria que matar ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por quatro meses três semanas e dois dias eu o persegui.&amp;nbsp;Anotei passo por passo em um caderno &lt;em&gt;moleskine&lt;/em&gt; que eu roubara na FNAC.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segunda-feira: 8:32. Sai no carro. 8:45:&amp;nbsp;Chega na academia. 9:37: sai da academia: 9:42: toma açaí com granola e banana&amp;nbsp;na padaria da esquina e volta pro carro. 9:48: chega na Prainha. 10:02: pede um mate. 10:15: toma sol ouvindo ipod. 11:08: joga altinha. 12:45: volta pro carro. 12:58: chega no condomínio. &lt;em&gt;Ps: não fala com o porteiro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou matá-lo no mar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu voltei pra casa, no dia da missão, tomei um banho demorado e o sono me bateu. Merda. Voltei pro trem hermeticamente fechado e em moto-contínuo. &lt;em&gt;Estação Arniqueiras&lt;/em&gt;. Ele não parou. Vocês conhecem angústia? Porque diabos eu não matei ele antes de dormir?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu rodava naquele trem há, imagino, umas duas horas. Até que me levantei e disse em voz alta: pára. Ele parou. Assustado, aproveitei o bom momento e falei abre. As portas se abriram. E eu saí daquela locomotiva feliz como Maomé ao cruzar o Mar Vermelho e assustado como Peter Parker ao descobrir-se Homem Aranha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rádio-relógio me despertou do cochilho. Logo hoje tão cedo? Merda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu matei? Matei porra nenhuma: liguei o ar condicionado, tomei um dramin e, tenho quase certeza, sonhei com um cavalo branco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei e liguei pra ela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-5943435021413412287?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/5943435021413412287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=5943435021413412287' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/5943435021413412287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/5943435021413412287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/09/tem-um-sonho-que-eu-sonho-sempre-desde.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-3217026857525201510</id><published>2010-07-03T03:21:00.001-03:00</published><updated>2010-07-03T03:45:28.309-03:00</updated><title type='text'>Pequeno ensaio sobre o segredo do sucesso na busca pela felicidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A gente inventou a cidade e a natureza: as quatro-estações do ano&amp;nbsp;e o canto dos pássaros; o apito das fábricas e as trinta-e-seis prestações do carro semi-novo (a gente, a propósito, inventou o carro, assim também como inventamos a&amp;nbsp;beleza das orquídeas e dos gols de cobertura).&amp;nbsp;A gente inventou a&amp;nbsp;salsicha, o castelhano e o filme pornô de anões (anões que também inventamos, assim como as girafas, o Giraffas e o &lt;em&gt;'ah, não'&lt;/em&gt; que dizemos vez ou outra).&amp;nbsp; A gente inventou a metralhadora,&amp;nbsp;a geometria e a propaganda do canal Futura que,&amp;nbsp;me envergonho ao perceber, estou imitando nessas tão mal traçadas linhas. &lt;em&gt;Como assim imitando?,&lt;/em&gt; perguntou The Old Jung Boy. &lt;em&gt;O bagulho tá pairando no inconsciente coletivo e é tão seu, Danilão, quanto da Rede Globo e dos monges budistas. Pode usar&lt;/em&gt;. Firmeza, respondi ainda envergonhado, mas vou tentar mudar o tom da narrativa pra ser mais "autoral".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;EXT. BURACO DO TATU - RODOVIÁRIA DE BRASÍLIA / NOITE&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FORLÁN é um mendigo de 60 anos. Barba &amp;amp; bigode &amp;amp; cabelos compridos, brancos e sujos. (Puta merda, é o personagem de Amores Brutos, aquele filme com o Gael Garcia Bernal. O velho que salva o cachorro no acidente de carro e deixa as pessoas morrerem.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corrigindo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;INT.&amp;nbsp;EMPRESA DIVIDIDA EM BAIAS. MÓVEIS BRANCOS. MUITA LUZ. GENTE BONITA, SAUDÁVEL E DE TERNO / DIA&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;FORLÁN é um executivo de meia-idade. Ruivo e muito, muito gordo. Veste um terno risca-de-giz (Caralho, tá virando o Jô Soares... merda)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;QUESTÃO I:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E no meio dessa porra toda, como é que a gente se inventa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(x) com massinha de modelar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;QUESTÃO 2:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que isso quer dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(x) que com mãos de fada ou a golpes de picareta dá pra se remodelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diferentemente do que acontece com os embutidos, é altamente indicado que conheçamos o processo de fabricação das massas de modelar que nos constituem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-3217026857525201510?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/3217026857525201510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=3217026857525201510' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/3217026857525201510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/3217026857525201510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/07/gente-inventou-cidade-e-natureza-as.html' title='Pequeno ensaio sobre o segredo do sucesso na busca pela felicidade'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-7152990967256615411</id><published>2010-06-07T04:34:00.000-03:00</published><updated>2010-06-07T04:34:44.665-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ai ai&lt;br /&gt;E então&lt;br /&gt;Quem vai?&lt;br /&gt;Eu não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não?&lt;br /&gt;Mas nem&lt;br /&gt;Rapaz...&lt;br /&gt;Porém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se pinta&lt;br /&gt;Um plá&lt;br /&gt;nem vai&lt;br /&gt;sacar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-7152990967256615411?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/7152990967256615411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=7152990967256615411' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/7152990967256615411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/7152990967256615411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/06/ai-ai-e-entao-quem-vai-eu-nao-tu-nao.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-3572308219358534882</id><published>2010-04-08T05:50:00.001-03:00</published><updated>2010-04-08T05:52:44.684-03:00</updated><title type='text'>Papo curto</title><content type='html'>1) Roçou o bigode e levou um cigarro a boca. Na mão&amp;nbsp;o copo de Campari, tão bonito de se ver de tão vermelho, metade vazio: era um dia metade vazio. Não acendeu o cigarro, não bebeu o Campari e nem se matou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Era uma vez uma diva que subiu ao palco e, diante do público,&amp;nbsp;perdeu a voz. Entupida de música, fugiu chorando&amp;nbsp;pro camarim. O produtor aproximou-se e, não tendo o que dizer, em silêncio a abraçou. Ela lhe enfiou as unhas no pescoço, como&amp;nbsp;se dissesse "que as palavras não ditas tomem no meio do cu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Acontece que ele não tocou pra mim, e eu tava na cara do gol, professora, e ele quis driblar todo mundo, só pra se aparecer, professora, e eu na cara do gol, professora, ai eu falei palavrão, desculpa, professora, mas ele não tocou a bola pra mim, e eu tava na cara do gol, professora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Desde que se aposentou, ele acorda bem cedinho pra ir comprar pão. Na padaria toma dois conhaques. Volta pra casa mascando chiclete de menta e tosta o pão na frigideira. Acorda a mulher dizendo "eu te amo" e&amp;nbsp;serve o pão com café. Aí ele se senta diante da tevê e passa o dia todo pensando nos conhaques de amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Me beija? Não. E na cabeça do meu pau?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-3572308219358534882?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/3572308219358534882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=3572308219358534882' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/3572308219358534882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/3572308219358534882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/04/papo-curto.html' title='Papo curto'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-6302869991000030994</id><published>2010-03-15T04:07:00.000-03:00</published><updated>2010-03-15T04:07:39.081-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Naquele dia, e não foi ontem. Ela era toda nova e bonita e eu morto de vergonha da graxa nas mãos, dos calos nas mãos, das mãos sujas e grossas e ameaçadoras. Ela, de rosa, mas não esse rosa de hoje em dia, chegou empurrando uma bicicleta Ceci que também era rosa daquele rosa antigo, mas rosa não rosa como o vestido. ‘Quanto é o remendo?’, perguntou. Eu olhei pro chão, como faço sempre que vejo alguém que não é feio, e disse cinco, e minha voz fica rouca quando eu fico sem graça, e eu tava sem graça, e eu disse cinco, mas ela deve ter entendido ronco. Tudo bem, ela disse, e eu, olhando pro chão, dei a sorte de ver o All Star que ela calçava e o começo da canela, e um pingente de ouro no tornozelo, e tinha um coração no pingente, acho que o coração era meu, mas ele não tinha ponte de safena. Depois de pronto o remendo ela pagou dez cruzeiros – não falei que ela não tinha me entendido? – e eu fiquei com vergonha de dar o troco, e também acho que não tinha, ou melhor, acho que mesmo que tivesse não daria, dinheiro é difícil de conseguir. Ela montou na bicicleta, que não existe mais mas era linda, e linda era a menina montada na bicicleta, e eu queria lamber cada ponta do seu corpo, os dedos do pé, a ponta da orelha, os joelhos, os dentes e a clavícula. Ela não me viu, sei disso, eu era só o utilitário, a ponte entre o pneu furado e a volta ao passeio. Ela não casaria comigo nem com meu filho mais novo. E eu me casava com ela só se fosse capado. Não podia pensar em meter nela. Lambê-la eu queria, lamber é um ato de reverência, diferentemente de socar a pica em alguém, que é um ato de poder. E eu trabalhei três dias rezando pra ela voltar, ‘Quanto é o remendo?’, mas infelizmente sou bom no que faço, aquele pneu voltou a ser novo e ela não voltou. Lá pro quarto dia eu esqueci dela e minha mulher trouxe o almoço e eu fiz alguns remendos e a vida continuou. Só que vocês sabem, Cuba Livre é uma bebida desleal, e depois de encará-la, voltando a pé pra casa, levemente de cara cheia, naquela hora em que ponho a mão no bolso e tento assobiar um bolero, a desgraçada da menina da Ceci sempre reaparece, ‘Quanto é o remendo?’, e eu não consigo me lembrar do rosto dela, só do pingente no tornozelo, e então fico assim, meio torto, até entrar em casa. Mas sou ex-maratonista e chego rápido, e luto com a chave que, nesse estado etílico, é maior que a fechadura, e consigo vencer a batalha, e tiro o sapato pra não sujar o tapete, entro no quarto e dou uma na mulher e durmo. E fico bem até a próxima Cuba Livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, diabos, pararam de fabricar a tal da bicicleta Ceci?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-6302869991000030994?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/6302869991000030994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=6302869991000030994' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6302869991000030994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6302869991000030994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/03/naquele-dia-e-nao-foi-ontem.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-4782343654167920648</id><published>2010-02-22T02:09:00.003-03:00</published><updated>2010-02-22T02:38:23.742-03:00</updated><title type='text'>Ivan, o temível - parte II</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ele olhava ela e como que a lambia, com aqueles olhos vesgos de lamber fotografia de revista de artista. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ele olhava ela e se surpreendia:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;aqueles olhos acostumados ao feio da geladeira vazia, das fotos de cadáver na capa do jornal policial, da derrota que cala o Maraca lotado; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;aqueles olhos acostumados a ver&amp;nbsp;mãos&amp;nbsp;que se erguem dizendo&amp;nbsp;&lt;em&gt;pare-cale-a-boca-nem-te-conheço-encosta-na-parede&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;aqueles olhos que não podem se fechar para o sono noturno dos justos, pois que, abertos, justificam os 850 reais por mês que o farão - espera - comprar uma casa própria dentro de 60 anos -&amp;nbsp;olhos que, hoje em dia, já nem sabem mais dormir;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;aqueles olhos familiarizados com cabeças que se movem de um lado&amp;nbsp;pro outro, lentamente, dizendo sempre o mesmo não: &lt;em&gt;não-temos-vagas-não-pode-fumar-aqui-gente-de-bem-não-tá-na-rua-essa-hora;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;tais olhos quase que não criam que fosse possível existir algo tão bonito quanto o poster de uma praia em Bora-Bora, agora, que ele colara no teto do quarto pra olhar antes de dormir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mas existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mesmo sendo tão feio, e tão acostumado ao que é tão feio, Ivan não postou-se diante de tanta beleza como os idiotas que ficam atônitos e boquiabertos quando vêem a Capela Sistina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda aquela beleza, todos aqueles sorrisos e cada um deles,&amp;nbsp;aquelas duas&amp;nbsp;pernocas&amp;nbsp;de bailarina, os peitos e os olhares...&amp;nbsp;Ivan, o temível, mesmo assombrado com a presença gritante do belo jamais pensou&amp;nbsp;que se tratasse de algo divino e, assim, distante e intocável:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ele sabia que a beleza é carnal e que é na carne que se lhe deve reverenciar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Pagar-300-conto-por-mês-nessa-porra-de-barraco-é-complicado-demais. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi no barraco e&amp;nbsp;com vista pra&amp;nbsp;Bora-Bora. O colchão de mola jogado no chão. Os livros na estante - que já não têm mais nenhuma importância - como testemunhas. Ela lhe falou baixinho, como quem pede clemência, ou melhor, como quem pede que não se tenha clemência:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Me come?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ele comeu ela com aquela boca de comer mortadela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ivan sempre quis muito, mesmo parecendo modesto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-4782343654167920648?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/4782343654167920648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=4782343654167920648' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/4782343654167920648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/4782343654167920648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/02/ivan-o-temivel-parte-ii.html' title='Ivan, o temível - parte II'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-7597294915592499173</id><published>2010-02-18T21:04:00.000-02:00</published><updated>2010-02-18T21:04:57.545-02:00</updated><title type='text'>Ivan, o temível</title><content type='html'>Ivan é feio. Feito um fela da puta. Tem duas orelhas de abano penduradas numa cabeça minúscula. Se a lei da gravidade fosse séria, aquelas orelhonas,&amp;nbsp;duas bigornas&amp;nbsp;de toneladas de&amp;nbsp;chumbo, já teriam arrancado do corpo - grande e magro - de Ivan aquela cabeça pequenininha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pensem vocês que a cabeça de Ivan, por ser tão pequena, é lúdica ou infantil. Muito pelo contrário. O rapaz das orelhas gigantes e da cabeça pequena também tem olhos de psicopata e um sorriso nervoso de quem já fez muita maldade nessa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan, que é como os íntimos chamam Odivan, trabalha de&amp;nbsp;vigia noturno em um bloco residencial&amp;nbsp;na Asa Sul. Trabalha 6 noites por semana, 10 horas por noite, apesar do que dizem&amp;nbsp;as leis trabalhistas. Ganha 850 reais por mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de seu escritório, uma cabine de não mais de 3 metros quadrados, Ivan tem uma televisãozinha de 10 polegadas e um estilete. A tv ele nunca desliga, diz que ajuda a não dormir. O estilete, graças a Deus, nunca usou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos finais de semana, Ivan entra nos chats de relacionamentos da UOL pra conhecer mulheres. É uma boa estratégia, posto que, diferentemente do que aconteceria no face-a-face, a feiúra do rapaz, na internet, não rouba totalmente a cena. Se mandar bem no papo, e Ivan é bom de papo, e conseguir combinar um encontro pra dali há uns dias, as moças que lhe encontrarem, mesmo que se assustem com tamanha feiúra, terão de ser mais delicadas para correr dele do que as totalmente desconhecidas que abordaria nas baladas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan é feio, tem cara de mau, é pobre, tem arma e adora internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele só quer&amp;nbsp;conhecer umas garotas e comprar uma casa própria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-7597294915592499173?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/7597294915592499173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=7597294915592499173' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/7597294915592499173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/7597294915592499173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/02/ivan-o-temivel.html' title='Ivan, o temível'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-6422445837099323366</id><published>2010-01-11T04:07:00.003-02:00</published><updated>2010-01-11T05:10:54.291-02:00</updated><title type='text'>Uma canção pro saidão</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Passou o carnaval&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;E a sexta-feira da paixão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Tiradentes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;                Passou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;O dia do trabalhador&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Teve o 7 de setembro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Ninguém apareceu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;                Nem Nossa Senhora de Aparecida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;No dia que é seu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Dia dos finados&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Deus que me guarde&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;longe desses coitados&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Chegou o natal&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;                Vestido de indulto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;E eu pude sair&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Teve traçado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Arroz salpicão guaraná frango assado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;deu a hora de voltar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;não sei&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Tudo de novo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Passou o carnaval &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Depois do ano novo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;                E a sexta-feira da paixão:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;eu &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;não&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;passei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-6422445837099323366?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/6422445837099323366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=6422445837099323366' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6422445837099323366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6422445837099323366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2010/01/uma-cancao-pro-saidao.html' title='Uma canção pro saidão'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-3992769621225751534</id><published>2009-09-20T23:04:00.006-03:00</published><updated>2010-01-11T04:09:51.481-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>O último jugoslavo</title><content type='html'>- Doutor, o advogado dele ligou.&lt;br /&gt;- E o que aquele filho-da-puta queria dessa vez?&lt;br /&gt;- Falou que ele quer fazer um acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"&lt;em&gt;Nasci em um país que já não existe: República Federativa Socialista da Jugoslávia. Hoje em dia eu sou Sérvio, como se tivesse nascido na Sérvia, território ali nos Balcãs que, apesar de ter registros que datam de 29 antes de Cristo, conseguiu a enorme proeza histórica de ter apenas um único e curto período de apogeu, que foi durante o reinado de Estevão Duchan, de 1331 a 1355. Não existia nem a pedra onde o meu mais antigo antepassado muçulmano ergueu sua primeira casa. Foi rápido, faz tempo e depois tudo se fodeu de novo."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;*&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;- &lt;/em&gt;Alô?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bom dia, aqui é o Doutor Penedo, como vai... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Doutor o caralho... o que tu quer, porra?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Calma, Kleber... eu queria...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Calma o cacete. [gritando] Ô Rosângela, que porra é essa de transferir ligação assim sem avisar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- ... marcar uma reunião.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mais uma? Aquele filho-da-puta é um mercenário, quanto ele quer dessa vez?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Fazer um acordo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- [silêncio]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pode ser amanhã às dez?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pode. Você vai vir com ele?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não. Ele me demitiu. Essa ligação é meu último serviço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Eu nunca gostei do frio. As vezes eu penso que nasci na Europa por um erro do destino: não gosto de frio, não gosto de vinho, não gosto do Coliseu e tenho uma certa vergonha de ser branco. Eu nunca gostei do frio: mas foi nele que dei os primeiros chutes. Nevava forte e Djovic fez uma enorme bola de neve e atirou em minha direção, pra me provocar. Eu matei ela no peito, botei no chão e pensei, "acho que não quero mais ser astronauta". &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;* &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- A gente te deve 30 milhões, a justiça já decidiu em última instância que temos que te pagar. Não tem pra onde recorrer. Enquanto não pagamos, a justiça trava 30% da grana do patrocínio, das cotas de tv, do caralho a quatro, e bota numa conta, que mais cedo ou mais tarde ela vai mandar pra você. Aí hoje você vem aqui, sem advogado, sem procurador, e me propõe que a gente te pague 100 mil por mês e que aí você retira a ação judicial que trava nossas contas... isso tá me cheirando a golpe...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Golpe? O ladrão aqui não sou eu, Kléber. Eu sempre só quis o que é meu de direito... e é melhor você falar direito...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, P...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;[um soco na mesa estrondoso interrompe a fala de Kleber]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Cala a boca. Estamos acertados?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ué, sim...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P. levanta-se e vai embora. Antes de passar pela porta, Kleber pergunta de sua mesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Por que?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Só quero voltar a fazer o que gosto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Eu estudei pra ser enfermeiro. Um dia a Jugoslávia vai se foder novamente, eu pensava, e nesse dia eu quero estar pronto pra defendê-la, pra defender o socialismo. Não quero matar ninguém, não quero ser soldado. Também não gosto dos médicos: têm muito poder. Decidi ser enfermeiro: quando atacarem a Jugoslávia e o socialismo eu estarei na frente de batalha, cuidando dos que, assim como eu, resistirão".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;*&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- C.?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oi?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É o Kleber.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Fala, patrão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não escala o P.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- sem mas. Não escala.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;*&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Mas sempre fazia muito frio. Com ele, vinham as bolas de neve. E também as de pano, as de borracha. As de couro. É uma coisa muito estranha: uns dizem que é só treinar, ouvir o técnico, não beber, não fumar, não foder. Eles não sabem de nada. A verdade é uma só: o mundo é divido em dois tipos de homens, os que sabem o que fazer com a bola e os que não. Eu, Alá seja louvado, sou do primeiro time. Sempre fui."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O C. caiu. O K. também. Sabe porque?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Por que, antes de tudo, eles são ruins. Mas tem outro motivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Qual?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você. Todo mundo aqui dentro sabe que você tem que jogar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Obrigado, A., vou seguir treinando e esperar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- P, eu te conheço de outros carnavais. Guarda esse papinho pra imprensa. Você é melhor jogador que já entrou nesse clube depois do Z. Faz o certo: continua magro e correndo, que bola tu sempre teve.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- [longo silêncio] A, muito obrigado. Quem dera você fosse o chefe. Quem dera.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Aquele elenco era uma merda por causa do E. Mas a torcida, ah, a torcida, eu não conheço português o suficiente pra falar o que é aquela torcida... então fomos pra final. A gente tinha que meter 2 a 0 neles. O primeiro gol foi meu: enfiei uma bola açucarada na cabeça do E. que só teve o trabalho de não se mover. O segundo não lembro, acho que do Cássio. Aí eles fizeram um. Por um momento eu pensei que já era, faltavam só cinco minutos. Aí fizeram aquela falta. Eu fui pra bola, e a torcida, ah, a torcida, gritava Poeira. Eu arrumei a bola pensando que aquele clube era quase como a sofrida Jugoslava, um pequeno apogeu sobre o reinado de Z. nos anos 80 e depois só dor e desilusão. E aí eu me lembrei por que eu estudei enfermagem, e me lembrei do meu primo Djovic jogando aquela bola de neve no meu peito, pensei que seria ótimo ver a cara do E. depois do gol, e não ouvi mais nada, apenas um poeira bem baixinho no fundo da mente. O resto, bom, o resto é história".&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Manchete de jornal: A. é o novo técnico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diálogo no dia seguinte:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- P., não quero nada demais de você. Entra lá e faz o que sabe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;" Faz 32 anos que Djovic jogou aquela bola no meu peito. Aquela, sim, foi difícil. Todas as outras, as que vieram e as que virão, não me deram, nem darão, medo nem susto. Por esse clube, que é como a Jugoslávia, e por essa torcida, que é como os que morreram em Stalingrado, é que verei vocês em Tókio. Com amor, Petkovic."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-3992769621225751534?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/3992769621225751534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=3992769621225751534' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/3992769621225751534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/3992769621225751534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2009/09/o-ultimo-jugoslavo.html' title='O último jugoslavo'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-6451124566222274626</id><published>2008-11-24T22:35:00.002-02:00</published><updated>2008-11-24T23:04:53.494-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>- Tá bom. Então me diz: dói?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Nada?&lt;br /&gt;- Nadinha.&lt;br /&gt;- Porra, como assim?&lt;br /&gt;- Não importa o que fizeram do homem...&lt;br /&gt;- ... mas sim o que o homem faz do que fizeram dele. Sartre.&lt;br /&gt;- Isso.&lt;br /&gt;- Tá, mas e daí?&lt;br /&gt;- Daí que não dói, porra. Ou melhor: não importa se dói ou não, importa o que eu faço com a dor. Eu posso simplesmente não acreditar nela. Aí não dói.&lt;br /&gt;- Sei, sei... tipo "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional"?&lt;br /&gt;- Não, caralho. Tu não entende nada. Carlos Drummond de Andrade era viado. Itabira, oh, Minas Gerais... nostalgia... bicha louca. Eu, nesse momento, to evitando a dor. Inevitável? Viadão.&lt;br /&gt;- Bicha mesmo?&lt;br /&gt;- Até os ossos. Mas bora, pára de falar e costura essa porra logo. Porque o sangue, diferentemente da dor, é concreto, e se continuar escorrendo tanto eu morro rápido.&lt;br /&gt;- Tá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-6451124566222274626?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/6451124566222274626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=6451124566222274626' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6451124566222274626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6451124566222274626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2008/11/t-bom.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-368567672458176730</id><published>2008-05-08T00:36:00.005-03:00</published><updated>2010-01-11T04:50:29.402-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>De pai pra filho</title><content type='html'>Meu filho tem uma tosse que não passa. Não sei que porra é essa. O moleque tosse a noite inteira há dois meses. A tosse é como um trovão, nem sei como ecoa naquela gargantinha magra. De tão alta e grossa, quase chego a sentir o gosto do catarro e do sangue em minha boca. Mas pode ser também o gosto do desemprego: saí do telemarketing há quatro meses, procuro e não encontro nada. Minha mulher tem posto a comida na mesa, eu tenho cuidado do menino e da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ela chegou e falou "o menino tá muito fodidinho, amor. Não sei que porra é essa. Já levou no hospital?", eu respondi que tinha levado hoje, mas só tinha consulta pra daqui há quinze dias. "Em quinze dias ele já morreu, preto. Faz o seguinte, compra um fluimicil lá na farmácia que o dr. Cabañas disse que é bom". E me deu uma nota de 5o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho da farmácia o vizinho chegou e disse que tinha dois ingressos, que não ia poder ir, que deixava comigo, só por ser meu chapa, os dois por 40, que tinha gastado 60. Porra, o meu filho é flamenguista. Se for tuberculose, Deus me livre, vai morrer. E nunca foi ao Maracanâ. Comprei os ingresos, roubei o menino, fugimos pela janela, sem a preta saber e pegamos o trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos cabisbaixos. Uns irmãos tentaram quebrar o trem. A maioria não ajudou, tava sem forças. O menino não chorou em nenhum momento. Já eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua de casa o dono do armazém veio tirar uma onda. Depois da humilhação no gramado, de três horas em dois trens, às três e meia da madrugada de um dos dias mais tristes da minha vida que não é tão alegre, o português vem me sacanear? Na frente do meu filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bati com um pau na sua cabeça. Quando ele caiu bati de novo, de novo e de novo, até sua face virar um litro de gelatina e flocos de osso. Pra minha supresa, quando olhei pro lado, meu filho chutava as costelas do portuga, talvez com mais raiva do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos no barraco e entramos pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais falamos daquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe dele adora fluimicil. Porque o menino nunca mais tossiu. E no jornal de amanhã não haverá uma latrina nessa cidade na qual eu possa ganhar cinco contos. Até depois de amanhã e ad infinittum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-368567672458176730?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/368567672458176730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=368567672458176730' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/368567672458176730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/368567672458176730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2008/05/de-pai-pra-filho.html' title='De pai pra filho'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-771170832024770392</id><published>2008-01-28T01:26:00.001-02:00</published><updated>2008-02-20T23:12:53.330-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nós éramos doze homens numa tarde chuvosa de 1959. A chuva transformara a serra num chiqueiro. Nós éramos doze soldados chafurdando na pocilga com armas enferrujadas. Ou melhor, onze soldados. Onze soldados e um comandante. Um comandante que disse aos onze soldados molhados e fodidos, que se éramos doze a guerra já estava ganha. Nós ganhamos a guerra e o Comandante venceu a história. O Comandante venceu a história, essa puta cheia de modas, porque acabou com a fome, com a miséria, com o analfabetismo, e tudo isso mesmo com as sanções impostas pelo império. Naquele dia, há 49 anos, quando ele disse que ganharíamos a guerra e eu acreditei, confesso que não imaginei que aquela vitória fosse ser tão absoluta. Nessa noite, milhões de crianças dormirão nas ruas. Nenhuma delas é cubana. Agradeçam ao Comandante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-771170832024770392?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/771170832024770392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=771170832024770392' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/771170832024770392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/771170832024770392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2008/01/ns-ramos-doze-homens-numa-tarde-chuvosa.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-8177403582096401557</id><published>2007-11-20T21:26:00.000-02:00</published><updated>2007-11-20T21:28:33.000-02:00</updated><title type='text'>Eu fui quase</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Num apartamento no subsolo de um prédio comercial na W3 norte. Uma sala com uma pia, um banheiro. Uma pilha de livros e gibis, uma pilha de caixas de pizza, latas de leite servindo como cinzeiro e transbordando de filtros de cigarro. Natalie Portman, te quiero. Uma televisão de antes da invenção do controle remoto, repousando sobre um banco manco, calçado com um pedaço de borracha. Um cabo de vassoura é um perfeito controle remoto quando não há muito espaço. Eu não preciso de muito espaço, eu não preciso varrer o chão, eu preciso é de trocar de canal, de assistir o que eu quero, dentro das possibilidades. Eu não tenho tevê a cabo. Uma cama no canto, ao lado da janela, cuja vista é a parede da frente e que, por estar no subsolo, não ventila, é mero apetrecho decorativo. Sobre a cama um cobertor de lã, eu não tenho alergia, eu sou o último homem que não tem alergia de nada, nem de cobertor de lã. Sobre o cobertor uma toalha úmida. Coisa de homem. Na porta do armário uma foto dos meus pais. O velho ainda era novo, bigode preto, óculos de aviador, sorrindo e abraçando minha mãe, que também sorria, de coque e óculos de perua francesa. Eles ainda não tinham rugas, ainda tinham saco pra fingir um amor que nunca existiu, pra tirar fotos querendo mentir pra posteridade que um dia já foram felizes. Hoje eles só têm bigode e catarata e rancor. O peixe no aquário se chama Peixe, e não morre de ruim, não me lembro a última vez que lhe dei comida. Já tive um pássaro, mas ele fugiu, ele se chamava Cachorro, pois eu queria era um cachorro, mas cachorros cagam e latem e roem os fios e não são permitidos neste condomínio. Condomínio, diga-se, de putas e imigrantes, de pequenos traficantes e solteironas, e deste frentista que já foi lutador de boxe, que já creu escrever bons poemas, que já quase se apaixonou e que escreve estas palavras unicamente por falta de alguém pra desabafar. Eu sou o último homem que escreve em diário. Diário que, vale lembrar, é muito diferente destas agendas que as adolescentes usam pra detalhar a mediocridade do seu cotidiano e as preliminares que vão experimentando com o tempo. Foda-se Anne Frank, você não me comove. Na pilha com os livros, que são poucos mas já foram todos lidos mais de uma vez, o Diário de Anne Frank por último, em cima. E sobre ele o Taurus 38, cinco balas, cromado, que herdei de meu pai, sem que ele quisesse ou soubesse disso, no dia em que o levei para o asilo. E no tambor deste revólver, que é belo e frio como Wynona Rider, uma única bala. A bala que guardo para a têmpora de Sandy, ou de Padre Marcelo Rossi, ou de Chico Buarque. O escolhido dependerá da oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo mormaço parece que há sol lá fora, mas talvez seja alguma vizinha fazendo um bolo, talvez eu esteja com febre. Os mineradores são como eu, subterrâneos. Mas eles estão debaixo da terra com uma missão a cumprir. Eu não tenho nada pra fazer, eu nunca tive nada pra fazer, eu durmo doze horas por dia e trabalho dez. No tempo que resta, uma punheta ou duas. Nos dias de folga eu durmo quinze horas. Quando acordo, ainda tenho sono. Envergonhado, tomo café e bato punheta lendo Caras. Nasceu uma verruga no meu pau. Pensei em comprar uma bicicleta. Pensei em comprar um tênis. Uma mulher, na Rodoviária, quis me vender o filho. Duzentos reais, uns três anos, bons dentes, quietinho, ela jurou. Se eu tivesse grana tinha comprado. Ela não aceitava cheque. Deve ser bom ter um filho. Deve porra nenhuma. Eu vivo abaixo da linha do planalto e um pouco acima da linha pobreza. Acho que tenho hepatite. O cara vai ficando amarelo quando vê pouco o sol. Um dia desses uma menina, que eu chamei Julia Roberts, parou o carro e mandou completar com gasolina. Julia Roberts pagou no cartão. Aposto que ela não me viu. Ninguém vê um cara atrás de um macacão de posto de gasolina. Oswaldo Montenegro, Gael Garcia Bernal, Maradona: eu não sou como vocês. Ontem fez trinta graus em São Paulo. Incêndio devasta condomínios de luxo no sul da Califórnia. Kaká é o favorito na eleição do melhor do mundo da FIFA. Puta que pariu. Eu sonhei com uma cidade que era clara e cheia de pessoas nas ruas. Ninguém tinha carro, todo mundo, andando, se esbarrava. Dos esbarros nasciam tanto brigas quanto sorrisos afáveis. Menos brigas que sorrisos. Não tinha elevador, não tinha leptop, não tinha China in Box. Tinha cinema, mas não era dentro do shopping. Shopping tinha, deve ter até no inferno. Os pivetes não se humilhavam com passinhos de capoeira no sinal. Eu andava por essa cidade com patins fluorescentes, não tinha medo de nada, e com uma capa de chuva, mas não chovia, e cada rosto que eu via era meu amigo, os pivetes, flamenguistas, jogavam bola com latinha de coca-cola e as putas tinham menos rouge. A se re rrê, a rr á, a rr ê, de rre be tchu de rrebe seibe u mama, marrabi em de biuld em de biuldi bi.  Acordei com o rádio-relógio tocando. Hora de pôr o macacão. Até logo, Julia Roberts.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julia Roberts não foi hoje. Eu nunca ajudei ninguém. Em nenhuma hipótese, eu nunca ajudei ninguém. Um dia vi um adolescente sendo espancado por três ou quatro da mesma idade, acho que era briga de gangue. Fiquei com muita pena. Se eu tivesse gritado, provavelmente, poderia ter acabado com a briga. Os agressores eram novinhos também. Eu não gritei. Eu nunca, em nenhuma hipótese, ajudo ninguém. Depois deu na televisão que o menino que apanhou teve traumatismo craniano. Eu senti algo como remorso por minha omissão. Minha mãe tem a coluna partida. Enquanto eu morei em casa, até pouco tempo, eu nunca a ajudei em nada. Ela trocava os móveis de lugar sozinha, fazia as compras sozinha, voltava pra casa carregando os sacos sozinha. Ela arrumava o meu quarto sozinha, lavava as minhas roupas sozinha. Eu nunca ajudei ninguém. Hoje, as vezes, eu telefono pra ela, quando quero conversar. Falo tudo que quero e, já me sentindo melhor, desligo antes de saber se ela também tinha algo pra falar. Quando eu me casar com Julia, talvez eu a ajude. Ou melhor, eu sei que ajudarei. Ajudarei demais, farei tudo que ela quiser, vou lamber suas botas, chupar seu cu, ser gentil com seus pais, pentear seus gatos, vou aprender a cozinhar pra fazer seus doces prediletos. Vou ser um capacho. Vou lhe dedicar toda a atenção que não dei ao mundo e ela não vai gostar, nós nos separaremos e eu alugarei outra quitinete, dessa vez, espero, acima do chão. A lei que rege o mundo é a inércia. Ninguém faz o que gosta porque ninguém sabe do que gosta. O Paulo Autran fumou até morrer, não por amor ao tabaco, sim por essa coisa tão humana de continuar fazendo o que vem sendo feito. Felicidade, pra mim, é saber o que quer e querer pouco. Inveja eu tenho de quem quer uma casa própria, um carro novo, um casamento feliz. Tudo é mais fácil quando você tem uma missão. O subterrâneo dos mineradores é muito mais doce que o meu.  O rádio toca uma música que eu sei cantar. Todos os dias eu pego o mesmo ônibus. Todas as noites, antes de dormir, eu faço a mesma reza. Caralho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-8177403582096401557?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/8177403582096401557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=8177403582096401557' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/8177403582096401557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/8177403582096401557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/11/eu-fui-quase.html' title='Eu fui quase'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-5869439046679866522</id><published>2007-10-08T19:31:00.000-03:00</published><updated>2007-10-08T22:45:45.654-03:00</updated><title type='text'>Dogville e a corrente invisível</title><content type='html'>Na vizinhança havia um homem que batia nos filhos. Os filhos eram três: dez, oito e cinco anos de idade. O homem era um só [mais um]: trabalhador e bêbado. De sua mulher eu quase não me lembro, exceto de sua silhueta gorda que me parecia triste e cansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este homem saía do trabalho na capina, tomava alguns muitos tragos e, ao chegar em casa, inventava algum motivo, escolhia um dos meninos e sentava a porrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia o homem decidiu dar uma surra brava, de vara de marmelo, no menino de oito, e eu - entre a vergonha do silêncio quase cúmplice e a curiosidade pela vida alheia - vi tudo pela minha janela. Ele estava enfurecido, a vara zunia de sua mão para as costas do menino enquanto de sua boca, da banguela boca do bêbado, voavam gotas de ódio e cuspe.  O menino apanhava com dignidade, valendo-se da força do orgulho para que de sua boca não saísse um ai, para que de seus olhos pretos não caísse uma única lágrima. Mas de seu lombo, do lombo magrinho do menino, voavam pequeninas gotas de um sangue quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora a surra acabou e o pai entrou pra casa, talvez pra ver a novela. O menino continuou, ainda em silêncio, no quintal, no mesmo lugar onde apanhara. Não tardou e seu irmão de cinco se aproximou pra oferecer um consolo. O menino de oito esbofeteou o de cinco diversas vezes, e o de cinco, assim como o de oito já o fizera, também não disse uma palavra nem esboçou reação. Outra vez a outra surra acabara e o menino de cinco foi pra outro canto do quintal, mas no caminho o vira-lata da família dormia e o caçula chutou-lhe a cabeça com tamanha força que eu creio ter ouvido um creck. O cachorro gemeu, diferentemente dos meninos, e mudou de lugar, esperar por um rato que talvez passasse por ali despercebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito tempo depois eu assisti Dogville e entendi porque os moradores da cidade agiram daquela forma com Grace.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forasteira era de bom coração, educada, gentil, bonita e trabalhava para a comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens de Dogville a retribuíram com estupros coletivos e coleira de aço no pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre haverão pessoas mais fortes, e outras mais fracas, que você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lógica do mundo é que as primeiras te magoarão e você, por isso, magoará as segundas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma corrente estúpida de levar adiante a escrotidão, as pessoas não se vingam, como na Lei de Talião, a quem de fato lhes causou mal. Elas esperam que apareça alguém fraco o suficiente para sofrer como elas já sofreram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai que foi humilhado pelo chefe espanca o filho de oito que por sua vez bate no irmão de cinco que chuta a cabeça do cachorro que morde o rato infectado que morde a mulher de silhueta gorda cansada e triste. Todos os culpados acabam inocentes e todos os inocentes acabam punidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pior é saber que todos nós podemos, a cada momento de nossas vidas, quebrar essa corrente. Basta punirmos quem punido deve ser e darmos o benefício da dúvida aos outros. E se não o fazemos é porque perdemos a delicadeza, ao renegarmos a nossa fragilidade, lá pelos anos cinquenta do século XX.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-5869439046679866522?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/5869439046679866522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=5869439046679866522' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/5869439046679866522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/5869439046679866522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/10/dogville-e-corrente-invisvel.html' title='Dogville e a corrente invisível'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-2612293595363483974</id><published>2007-10-06T14:22:00.001-03:00</published><updated>2007-10-06T14:51:33.727-03:00</updated><title type='text'>Nunca haverá um homem como Fábio Luciano</title><content type='html'>68 mil pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa noite de quinta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíram de seus trabalhos e foram direto pro Maracanâ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegando ao templo maior, despiram-se do disfarce de Clark Kent - a surrada camisa de botão - e deixaram à mostra a segunda pele em preto-e-vermelho, tornando-se o que sempre foram: super-homens.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Super-homens que se juntam em 68 mil, numa noite de quinta-feira, pra ver jogar um time que está na décima segunda colocação de um campeonato que conta com vinte times. Super-homens que acordarão cedo amanhã, assim como acordaram hoje, e pegarão dois ônibus e um trem, como fizeram hoje e farão depois de amanhã. Super-homens louvando um time que, ouso dizer, não os merece. Super-homens que não merecem duros quinze anos sem títulos importantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No vestiário há um homem alto, magro, com cara de poucos amigos. Ele faz a barba, a seco, com uma navalha enferrujada. Enquanto seus amigos cantam pagodes, ele soca o chão, forte e lentamente, e não se afeta pelo clima eufórico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como um veterano de Stalingrado, sabe ele que quem sorri morre primeiro, e ele não liga pra morte, só não quer inaugurá-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas costas desse homem há um número. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No braço desse homem uma tarja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É ele o capitão Fábio Luciano - aquele que mata por nós e pelo qual nós morreríamos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O outro time é melhor, mais bem estruturado e mais vitorioso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um soldado raso deles, com status de general, tenta induzir o juiz do combate ao erro. Nosso capitão Fábio Luciano - aquele que mata por nós e pelo qual nós morreríamos - lhe convence, não muito amavelmente, que não admitirá aquele tipo de comportamento de um jogador. Dagoberto, o soldado raso, engole o choro e passa o resto do jogo cabisbaixo, como um simples mortal que enfurescera um Deus onipotente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ganhamos, comandados por nosso capitão Fábio Luciano - aquele que morre por nós e pelo qual nós mataríamos - como haveria de ser. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com tradição, raça, amor e paixão, como diz a canção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os 68 mil super-heróis terão uma semana menos dura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É só por eles que vale a pena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poucos perceberam, mas ao final do jogo Fábio, O Luciano, já estava com a barba descomunalmente crescida outra vez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por trás daquele azul viril de barba por fazer, não vimos nenhum sorriso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bastou um leve aceno com a cabeça aos seus 68 mil superiores para que todos entendessem que se trata da mesma estirpe de homens:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;aqueles que, se dividirem a bola com o Godzilla, não tirarão o pé, pois sabem que isso tudo é muito mais que um jogo, que uma taça, que um clube.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-2612293595363483974?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/2612293595363483974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=2612293595363483974' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/2612293595363483974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/2612293595363483974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/10/nunca-haver-um-homem-como-fbio-luciano.html' title='Nunca haverá um homem como Fábio Luciano'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-2407801782393752415</id><published>2007-09-11T22:58:00.000-03:00</published><updated>2007-09-11T23:05:43.162-03:00</updated><title type='text'>Olha o aviãozinho</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0X7uuGDBtWs/RudI2KKMGvI/AAAAAAAAAAM/5UY1KNAhClc/s1600-h/wtc.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109132397552343794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0X7uuGDBtWs/RudI2KKMGvI/AAAAAAAAAAM/5UY1KNAhClc/s400/wtc.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mundo continua uma merda, mas a ausência destas duas pirocas da fotografia me faz sempre, cada ano que passa, ter vontade de cantar um Geraldo Azevedo: "tá vendo aquele edifício, moço? ele não existe mais".&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aos de melhor coração, não confundam civis e inocentes, tá?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Feliz 11 de setembro!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-2407801782393752415?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/2407801782393752415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=2407801782393752415' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/2407801782393752415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/2407801782393752415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/09/olha-o-aviozinho.html' title='Olha o aviãozinho'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0X7uuGDBtWs/RudI2KKMGvI/AAAAAAAAAAM/5UY1KNAhClc/s72-c/wtc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-812331539133587412</id><published>2007-08-29T16:06:00.000-03:00</published><updated>2007-08-29T16:11:37.065-03:00</updated><title type='text'>Colcha de chenile</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não era cedo e àquela hora só os vagabundos como ele ainda dormiam. Duas horas após o amanhecer já é difícil resistir ao sol, que frita o asfalto que frita o corpo do homem que dorme, já perto do meio-dia, então, é impossível. Ainda assim, ele dormia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passou uma senhora, a caminho da feira, centenas de homens, a caminho do trabalho, passou a polícia perseguindo o crime, e passou o crime perseguindo a fuga. Passaram cachorros, viraram as latas e se foram. Passaram meninas, peitinhos durinhos, voluptuosas colegiais ou simples cêdeéfes à mercê da pedofilia do narrador. Passou outra senhora, a caminho da feira, mas esta era mais gorda. Um bando de hippies, fazendo malabarismos, e também um bando de pivetes, malabarizando a sobreviência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passou o tempo e o homem ainda deitado. Só os vagabundos como ele conseguem dormir tanto tempo. É muita cachaça, pensou uma minoria. A maioria não o via, paisagem indesejada, fácil de abstrair nos olhos de quem não tem filosofias a perder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As núvens tamparam o céu e mijaram sobre a cidade uma tempestade. É o dilúvio final, pensou um crente que passava pelo homem que dormia - e não o via. Um guardinha do prédio em frente, de coração mole, decidiu acordar o homem. Chegou com medo. Todos temem um homem que dorme demais, que bebe demais, que fede demais. Aproximou-se dele e chutou-lhe, delicadamente, o calcanhar. Vai morrer afogado nessa chuva, companheiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O homem morto continou dormindo. Só os vagabundos morrem embaixo das marquises.  Morreu de cachaça?, perguntou um popular. Foi grupo de extermínio, briga de mendigos? Não, os pêlos do tornozelo dele grudaram na colcha de chenile, e então ele não conseguiu levantar-se enquanto era pisoteado pelos transeuntes, disse um cínico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-812331539133587412?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/812331539133587412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=812331539133587412' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/812331539133587412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/812331539133587412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/08/colcha-de-chenile.html' title='Colcha de chenile'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-6486121039690201056</id><published>2007-08-13T03:33:00.000-03:00</published><updated>2007-08-13T04:01:42.642-03:00</updated><title type='text'>A Terra dos Guarda-chuvas perdidos</title><content type='html'>Eu moro atrás de um posto de gasolina. Sentado no computador posso ver a loja de conveniências e o segurança dormindo sentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das três da manhã eu ouço um enorme barulho, e sempre me assusto. O barulho vem do ronco do motor de um caminhão que entrega o jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara desce, abre o caçamba, tira um monte de jornais de lá e os deposita em frente à porta da lojinha. O segurança não acorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ele volta ao caminhão e vai embora. Ouvindo a CBN, eu acho, pra se sentir menos só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também as três da manhã, da casa do meu pai, eu posso ouvir o apito de um trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não existem trens que levam passageiros. JK - a soldo da Ford - acabou com eles. Mas as ferrovias estão lá, e por elas passam alguns cargueiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro deste trem carregado de, eu acho, minérios, há de haver um maquinista. O maquinista - retrato em branco-e-preto contrastando com este mundo tridimensional, fluorescente e kitsch - deve estar, eu acho, com um boné como o do Chaves, pra aquecer as orelhas, e uma garrafa de vodka já pela metade - pra aquecer o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os jornais de papel forem definitivamente abolidos, e toda a mídia impressa passar a ser online, o meu amigo caminhoneiro desaparecerá pra sempre das minhas vistas e, longe delas, demorará um bom tempo pra conseguir dormir depois da novela, que é a hora certa pra se dormir. Talvez recorra a remédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o tempo vencer as ferrovias, ou quando inventarem o trem teletransportado, o meu amigo maquinista, personificado no som que emite do trem, desaparecerá pra sempre dos meus ouvidos e, longe deles, haverá de jogar fora o velho chapéu e aumentar o consumo de vodka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos, em breve, irão morar, pra todo o sempre, na Terra dos Guarda-chuvas perdidos. E deles jamais ouviremos falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu me lembrarei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-6486121039690201056?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/6486121039690201056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=6486121039690201056' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6486121039690201056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6486121039690201056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/08/terra-dos-guarda-chuvas-perdidos.html' title='A Terra dos Guarda-chuvas perdidos'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-419617040381821287</id><published>2007-06-28T01:37:00.000-03:00</published><updated>2007-06-28T02:03:41.026-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O pior, pra mim, é pensar que ela implorou pra que eles parassem. Pelo amor de Deus, deve ter dito, parem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de eles não pararem não me assusta. Eles não parariam nunca. Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles pensarem que ela era puta assim como pensaram que o índio era mendigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acabar tudo, restará este equívoco. O equívoco de sempre: que não explica nada, que não perdoa ninguém. Que só serve como purpurina mórbida à história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os samurais da Barra disseram que pensaram que a empregada doméstica era puta. No fundo no fundo, pra eles é a mesma coisa: puta e empregada doméstica, ladrão, mendigo e motoboy. A mesma coisa é o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro ninguém cuida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro não faz falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do muro são todos de borracha: os veados, os pretos, as putas, as domésticas, os motoboys, os palestinos, os leprosos e os testemunhas de Jeová.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sentem dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empregada doméstica era só a coadjuvante do videogame da vida real, situada no tempo entre o fim da balada e o suquinho de acerola no café-da-manhã com vista pro mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não entendem esse auê todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente, ninguém vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que os olhos não vêem o advogado do papai não sente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-419617040381821287?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/419617040381821287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=419617040381821287' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/419617040381821287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/419617040381821287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/06/o-pior-pra-mim-pensar-que-ela-implorou.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-382116544240304629</id><published>2007-04-17T22:24:00.000-03:00</published><updated>2007-04-17T22:39:58.676-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Futebol não é esporte. Não faz bem à saúde, não traz longevidade, não afasta das drogas, não melhora o caráter. Futebol quebra o joelho, as costelas, o nariz, abre o supercílio. Fair play é viadagem de inglês. Não se deve respeitar o adversário, deve-se, pelo contrário, humilhá-lo, de preferência na frente da sua torcida. Para humilhar, prescrevo o drible. Mas também serve uma boa surra, dependendo da ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futebol não é jogo, não vence o mais preparado, não vence quem treina mais. Parreira mente. Garrincha era torto e bêbado e genial. E, dizem, tinha um pau enorme. Daí, talvez, a rouquidão da Elza Soares. Vence a equipe que deixar mais lances para a eternidade, muito além do placar. Não se ganha com esquema tático, mas sim com culhões, cérebro e coração, nessa ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futebol é acerto de contas, é o gol de mão do Maradona contra a Inglaterra vencedora da Guerra das Malvinas. Futebol é masoquismo, é Beckembauer com a clavícula quebrada jogando contra a Itália na semifinal da copa de setenta. Futebol é briga de rua, Romário cravando as chuteiras no peito do zagueiro que agredira Edmundo.  Futebol é ressurreição, Ronaldo morto duas vezes ganhando a copa de dois mil e dois. É ofender o bobo da corte, Denílson contra os cinco turcos. O futebol é a vingança do favelado. É a bala perdida boiando por dez anos dentro da cabeça do pai de Adriano, o Imperador preto do Complexo do Alemão. É Adriano vomitando essa bala com a canhota na gaveta da trave do goleiro branco argentino. Buenos Aires é a capital da puta que o pariu. Aqui é macaquito seis estrelas, mané.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futebol é, enfim, coisa pra homens que já nasceram com saudades. Das guerras, e não das primaveras, que não viram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o maior destes homens se chama Zinédine Yazid Zidane.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-382116544240304629?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/382116544240304629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=382116544240304629' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/382116544240304629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/382116544240304629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/04/futebol-no-esporte.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-4891221815232940796</id><published>2007-04-14T00:19:00.000-03:00</published><updated>2007-04-14T00:35:48.462-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Com dois reais eu compro uma casquinha no McDonald´s e posso usar o computador. Vou sempre às três da tarde, que é quando tem pouca gente, quem foi pra almoçar já almoçou, o pessoal que trabalha lá está comendo os sanduíches velhos sob a vista grossa do gerente - que come os sanduíches mais novos entre os velhos - e a menina de sempre tá passando aquela vassoura de pano no chão. Então eu compro a casquinha e tenho o direito de usar o computador por mais tempo dos que os dez minutos regulamentares.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Vou direto olhar o orkut. A garotada de Brasília tá felizona. Nas fotos em seus perfis, são todos felizes mesmo quando fingem uma tristeza. Ninguém que tem todos os dentes sabe o que é tristeza. Isso eu aprendi com o Rubem Fonseca. A garotada tem todos os dentes e, além disso, os dentes são simétricos, depois de doze anos de aparelho pra deixar os grãos de esmalte brancos como pérola e retos. Tão felizes, saudáveis, amam Los Hermanos, tênis all star, Chico Buarque. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Eu passo horas catalogando essa galera. Tenho um banco de dados gigantesco na minha mente. Eu devia trabalhar pra Polícia Federal. A garotada de Brasília faz concurso. Faz faculdade, depois cinco anos de cursinho, depois passa num concurso e enche o rabo de cocaína com o salário de burocratinha público. E bota letra dos Los Hermanos embaixo das fotos em preto-e-branco com o cachorro.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;São todos felizes demais, bonitos demais, brancos demais. Os meninos eu acho que dão o cu. Nenhum homem que não dá o cu vai pra academia tornear o bumbum. As meninas eu acho que não dão. Se dessem, dariam menos importância à promoção de um alterego inteligente e sensível que divulgam no seu orkut.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Quando alguém percebe, já estou no computador há uma hora. Me mandam sair, eu saio. Vou pra outro McDonald´s e busco os funcionários da lanchonete anterior no orkut. Encontro um por um e percebo que eles, também, são lixo. Um lixo que fede menos, é bem verdade, mas ainda lixo. Talvez conheçam a tristeza - alguns deles já perderam dentes, já perderam parentes, já perderam empregos - mas infelizmente não ficaram mais nobres por isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Eu devia trabalhar pra Polícia Federal.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Ia foder com todo mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-4891221815232940796?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/4891221815232940796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=4891221815232940796' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/4891221815232940796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/4891221815232940796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/04/com-dois-reais-eu-compro-uma-casquinha.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-2434883691876548680</id><published>2007-03-30T20:36:00.000-03:00</published><updated>2007-03-30T20:49:10.823-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>- Moleque, vergonha mesmo é ser pego roubando coisas pequenas.&lt;br /&gt;- Tipo o quê?&lt;br /&gt;- Ah, sei lá, tipo o rabino lá...&lt;br /&gt;- Que rabino?&lt;br /&gt;- Aquele do cabelo grisalho estilo jovem guarda.&lt;br /&gt;- Ah, só. Pô, que tem ele?&lt;br /&gt;- Po, foi pego na gringa roubando cueca, gravata, sei lá.&lt;br /&gt;- Sério?&lt;br /&gt;- Sério.&lt;br /&gt;- E ele é rico, né?&lt;br /&gt;- Claro. Você já viu judeu pobre?&lt;br /&gt;- Não. Nem enterro de anão.&lt;br /&gt;- Então, pra mim vergonha é isso aí. Você é um rabino bam bam bam de São Paulo. Vive falando de D´us. Vai na televisão pedir pena de morte e o caralho. Um belo dia tu tá lá, loja de grife na gringa, metendo várias cuecas, meias, calcinhas e gravatas no bolso, amarradão, curtindo a adrenalina, aí vem o segurança e te ganha.&lt;br /&gt;- É memo. Boto fé que eu chorava.&lt;br /&gt;- Eu também. Enfim, magina só.&lt;br /&gt;- É foda.&lt;br /&gt;- Ô.&lt;br /&gt;- Mas aí, sabe o que eu não entendo?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Porque que neguinho famoso sempre é cleptomaníaco, doente, viciado em roubar, e nunca simplesmente o bom e velho ladrão.&lt;br /&gt;- Ah, sei lá. Acho que o senso comum parte da idéia estapafúrdia que a elite financeira, por não ter a necessidade de cometer furtos para sobreviver, se rouba é por estar doente. É essa mania de por doença em tudo.&lt;br /&gt;- Sinal dos nossos tempos: o covarde tem síndrome do pânico, o frescão tem depressão, menino levado tem distúrbio bipolar e ladrão é cleptomaníaco.&lt;br /&gt;- É.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-2434883691876548680?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/2434883691876548680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=2434883691876548680' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/2434883691876548680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/2434883691876548680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/03/moleque-vergonha-mesmo-ser-pego.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-6401512636659701335</id><published>2007-03-20T20:58:00.000-03:00</published><updated>2007-03-20T22:30:59.615-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu vinha a cento e quarenta, aproveitando uma banguela providencial. Ela estendeu a mão, na beira da estrada, pedindo que eu parasse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nós sempre paramos sempre que elas solicitam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oba. Bom?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bem. O senhor...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O senhor tá no céu...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;[Ela ri sem graça]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você... tá indo pra onde?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sempre em frente. Pra onde você quer ir?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pra longe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bom, essa é minha especialidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela sobe no caminhão, por um segundo percebo suas coxas. São magras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ligo o rádio. Belchior. A felicidade é uma arma quente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Quem te fez isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Isso o quê? Não, é que eu caí, sabe?, tava limpando a casa e escorreguei e... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não isso. Apesar de suspeitar que quem te colocou nesse caminhão foi a mesma pessoa que te pintou o rosto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;[Ela fica em silêncio. Acendo um cigarro]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;John, o tempo andou mexendo com a gente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quarenta minutos depois, um posto de gasolina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vamos tomar um café.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tô sem fome.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu pago.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu peço um feijão tropeiro e uma cerveja. Ela escolhe pão-de-queijo e café.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltamos ao caminhão e rodamos até o domínio total da noite. Paramos num acostamento pra dormir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa hora ela faz uma insinuação de teor sexual. Isso me entristece. Deixo que ela durma na boléia sozinha. Durmo em outro lugar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bom dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bom dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Trouxe pra você. [Pão-de-queijo e café]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não precisava. O senhor, você é muito bondoso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;[Fico em silêncio]&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Escuta, ontem à noite, você entendeu errado...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não há problema. Vamos seguir adiante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dois caminhões bateram de frente. Uma pequena multidão se concentra em torno dos escombros. As crianças brigam pelas laranjas que o caminhão derramou ao capotar. Por isso odeio tais crianças. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rodamos o dia inteiro. Estamos a quase mil quilômetros de onde encontrei a garota. É noite. Vamos dormir. Novamente ela se oferece. Novamente digo não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De manhã, quando chego com o pão-de-queijo e o café, ela já partiu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No volante um bilhete colado com chiclete:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obrigado por tudo. Menos por não ter me comido. Primeiro caminhoneiro que renega uma puta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Puta está sublinhado, como a grande revelação do dia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sempre soube a sua profissão, meu amor, eu cantaria se soubesse cantar. Você que não sabe a minha, pensei enquanto vestia a batina que estava dentro de uma das malas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele dia, na paróquia, as velhas carolas me saudaram como a quem volta da guerra. E é por isso que odeio tais velhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-6401512636659701335?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/6401512636659701335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=6401512636659701335' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6401512636659701335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/6401512636659701335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/03/eu-vinha-h-cento-e-quarenta.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-1704084313165445445</id><published>2007-03-17T00:12:00.000-03:00</published><updated>2007-03-17T00:23:54.702-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Vamos&lt;br /&gt;o Alabama é logo ali&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos&lt;br /&gt;o Alabama virou aqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blues&lt;br /&gt;Já não te quero mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paz&lt;br /&gt;já não te quero blues&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim&lt;br /&gt;prefiro Salamanca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manda&lt;br /&gt;Afinar o tamborim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim&lt;br /&gt;estamos em Salamanca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui&lt;br /&gt;não é tão bom assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida&lt;br /&gt;que te quero ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde&lt;br /&gt;me deixa te tocar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa&lt;br /&gt;Me leva com você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque&lt;br /&gt;na hora de morrer&lt;br /&gt;não quero ter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saudades&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-1704084313165445445?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/1704084313165445445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=1704084313165445445' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/1704084313165445445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/1704084313165445445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/03/vamos-o-alabama-logo-ali-fomos-o.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-4005466591724370058</id><published>2007-02-25T23:34:00.000-03:00</published><updated>2007-02-28T01:10:39.649-03:00</updated><title type='text'>Luta</title><content type='html'>Eu me encolhi como se tivesse doído, mas na verdade não doía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei que isso faria com que os chutes viessem mais fracos, mas não vieram. Pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram mais fortes e rápidos, parecendo um golpe só, dado por cinco pares de pés exatamente ao mesmo tempo. Eu contei cinco, não lembro se eram mais. Não que não doesse. Doer doía. Mas doía menos do que eu esperava. Bem menos. A porrada real é bem mais fraca que a platônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda multidão é idiota. Inclusive esta pequena multidão de cinco pessoas em redor do meu corpo caído distribuindo chutes a esmo, como se eu fosse uma bola numa pelada de cegos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Multidão imbecil. Não se preocuparam, de verdade, em machucar. Ou então pensaram que só mexer o pé de trás pra frente, rapidamente, e acertá-lo em alguma parte do meu corpo bastaria para que me derrubassem. Vocês sabem, um homem pode estar no chão sem estar derrubado, assim como pode estar em pé enquanto beija a lona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vi que a minha posição fetal não abalara a determinação dos meus algozes, resolvi me levantar. Achei, na hora, que fosse mais digno apanhar em pé. Levantei, não sem tomar alguns chutes na boca - que eles não tinham acertado até então por estar ela de encontro ao chão, protegida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei, não foi tão difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles, o maior, provável líder, veio ao me encontro e tentou me derrubar novamente. Burro, se me quer no chão, porque não me matou enquanto eu lá estava? Não caí. Eles me bateram mais um pouco e se cansaram. Todos sempre se cansam. Cedo ou tarde. Vence a briga quem melhor apanha, aprendi com Rocky.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deram três passos pra trás, ao mesmo tempo, todos, como numa coreografia. Me olharam com medo. Medo do absurdo de eu estar em pé depois de ter apanhado tanto. Pensavam, eles, que eram fortes, e que me desmaiariam, ou até me matariam, sei lá. Inocentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei pro mais forte e sorri. Um dente meu caiu. Guardei-o no bolso da camisa, então tingida de vermelho. Perguntei: e agora, posso ir? Mas ele não respondeu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-4005466591724370058?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/4005466591724370058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=4005466591724370058' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/4005466591724370058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/4005466591724370058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2007/02/luta.html' title='Luta'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-116433271236395453</id><published>2006-11-23T23:32:00.000-02:00</published><updated>2006-11-23T23:45:12.390-02:00</updated><title type='text'>Não adianta querer ser, tem que ser, tem que pá.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;É preciso deter a degradação do planeta. Vamos economizar água. Sabia que metade da floresta amazônica já foi desmatada, já virou plantação de soja? O latifúndio é ruim, destrói a natureza, tira terra da agricultura familiar. Não precisamos de líderes. Foi o Chico Science quem falou, né, ei você que está aí sentado, levante-se, há um líder dentro de você. Por isso o movimento é horizontal. Por uma vida sem catracas. Pelo amor livre, qualquer maneira de amor vale a pena, essa é do Caetano. Os zapatistas estão sendo destroçados pelos exércitos paramilitares de direita, financiados pelo governo, no México. Por isso nós fizemos um stencil, foto do Bush, e escrevemos uma frase do Foucault, sobre poder.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando ela calou-se, pra respirar, e aproveitou pra acender um cigarro, perguntei: você mataria pra defender o que disse? Ela disse que não, que a causa era de vida, não de morte, que as flores estavam aí, e também os pássaros, como num convite à liberdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então eu me levantei e fui embora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-116433271236395453?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/116433271236395453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=116433271236395453' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/116433271236395453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/116433271236395453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/11/no-adianta-querer-ser-tem-que-ser-tem.html' title='Não adianta querer ser, tem que ser, tem que pá.'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-116416298230888503</id><published>2006-11-21T23:11:00.000-02:00</published><updated>2006-11-22T00:39:08.466-02:00</updated><title type='text'>O Craque da Camisa número 10</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu nunca fui de correr, acho chato. Não é a idade, não é o cigarro, não é o uísque, o charuto, a noite, as garotas. Isso é o que dizem os jornalistas que nunca têm nada a dizer. Eu não gosto, nunca gostei. E nem preciso, nunca precisei, modéstia à parte. E pronto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trinta e sete anos, vinte de carreira. Dois clubes no Brasil, um na Espanha, um na Inglaterra. Clubes de ponta, dizem os jornalistas. Mesma merda que várzea, sempre pensei. Inclusive ao voltar pra casa, no começo do ano, pro mesmo clube que me revelou, clube que aprendi a amar antes mesmo de nascer, com meu pai, que já foi comido por um câncer, Deus lhe guarde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde dezembro, quando voltei, há oito meses, a porra do joelho, que parece de cristal, já bichou duas vezes. Em oito meses, passei cinco em recuperação. A torcida gostava de mim, num passado não muito distante. Hoje me chamam de Chinelinho, os putos. Sem mim nunca teriam ganho os dois brasileiros e a libertadores, e na final do mundial ainda bati um bolão. Encheram o cu de cachaça comemorando meus gols e hoje me tratam como se eu fosse um merda, quisesse só o salário do clube, que, por sinal, não me paga há quatro meses. Paciência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje é meu último jogo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No vestiário, a mesma putaria de sempre. Pagode, piada, depois de vinte anos o saco pesa. O Renatinho, minha sombra, tá feliz. Mesmo enquanto estive no departamento médico, ele nunca vestiu a dez, que é minha, mas que amanhã será dele. Boa sorte ao garoto, que não joga nem a metade do que eu jogo mas é um bom menino, tem carisma e uma patada de canhota. O Bigode, que é chegado dos tempos dos juniores, mas é mais novo, chega perto e me diz, arrebenta, Cabeça, o que tu fizer hoje vai ficar gravado nessa grama já pisada por Garrincha e Zico, vou botar todas as bolas pra tu, no pé, que é onde tu gosta. O Bigode é assim, generoso. E, como eu, não pinta as unhas, não usa brinco, não vai na Hebe. Joga muita bola e é leal, no campo e fora dele, o suficiente pra ter batizado meu filho mais velho, o Juninho. Os outros boleiros são uns dez moleques que me tratam com um respeito distante, uns cinco que têm inveja, uns cinco que só conheço de nome.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Subo a escadaria, e piso no gramado com o pé direito. Oxalá. A torcida grita "Renatinho". Filhos da puta. Se gritarem meu nome quando eu der o meu show, vou mandar tomar no cu. Ingratos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O árbitro é árbitro, e isso por si só já é ruim. Pior ainda é que eu já dei um tapa na cara dele, quando ele me expulsou por ter socado um zagueiro que me cuspiu o jogo inteiro. Nunca tomou uma cusparada, o puto? O esquema é ficar pianinho - e isso é muito, mas muito difícil - pra não dar motivo pra que ele me expulse. O outro time é melhor do que o nosso. Mas o nosso tem o Bigode no meio e eu na frente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No futebol, cada jogador toca na bola, no máximo, umas vinte vezes durante a partida. A questão é fazer o melhor quando isso acontece. Aos dez minutos recebi um passe do Bigode (depos soube que o narrador, irônico, disse, olhem, até que enfim o Cabeça apareceu). A bola veio mascada, mais perto do zagueiro do que de mim. Na dividida, levei a pior. Perdi a bola e senti o joelho. A torcida ensaiou uma vaia, esses ingratos. Pensei: jogo até o fim, que se foda esse joelho, depois de hoje não servirá mais pra nada mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jogo tava pra outro time, a gente jogava em contra-ataque. Eu, que não gosto, nem nunca gostei, de correr, me encarregava do último passe. O Bigode tocava pra mim, eu recebia e enfiava pro centroavante, que chutava pro gol. E nesse ritmo foi até os quarenta do primeiro tempo, quando a gente tomou o primeiro, numa cabeçada de zagueiro em cobrança de escanteio, o gol mais chato que há no mundo do futebol.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No vestiário, intervalo: Porra, vocês são burros?, perguntei gritando. Se você, moleque, (apontei pro primeiro volante), errar todas as saídas de bola, como que a gente vai jogar? Levanta a cabeça, porra. Como eles tão fechando o Bigode, bota no Paulinho, na direita. Se fecharem o Paulinho, toca pra esquerda. Se fecharem todo mundo, dá um bicão pra frente, mas não entrega essa porra dessa bola antes de ela passar do meio campo não. Levanta a cabeça, negão. Ela né só pra carregar boné não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo mundo ficou em silêncio. Craque velho tem essas mordomias. O técnico falou de tática, não dei ouvidos. Futebol é um jogo de homens, homens não cabem em esquemas. Voltamos ao jogo e, aos cinco minutos, tomamos o segundo. Fodeu, pensei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A torcida começou a pedir que o Renatinho entrasse no meu lugar. Bando de cornos. Nosso time entrou na roda e até eu tive que voltar pra marcar. Mas eis que aos trinta teve uma falta perto da área, a favor do nosso time. O Bigode, que é o cobrador oficial, olhou pra mim, ajeitando a bola, e perguntou, quer bater?, bate tu, porra, o cobrador oficial, respondi. Mas é seu último jogo, parceiro, e você tem estrela. Vaidoso que sou, após esse elogio arrumei a bola. O Maracanã calou, tímido, como sempre faz nesses momentos. Há muito não cobrava uma falta. Bati forte e seco, no contrapé do goleiro. Gol. Olhei pra torcida que pedia Renatinho há poucos minutos e gritei: e agora, filhos da puta? Essa foto, eu gritando pra torcida, ódio no olhar e pequenas gotas de cuspe voando da boca, seria capa de jornal amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois do gol, tudo mudou. O time deles, mesmo com a vantagem, tremeu. E o nosso partiu pra cima, com mais colhão do que técnica. Tomei um cartão amarelo num lance besta. O juíz não esquecera o nocaute. O Bigode empatou num folha seca perfeito, aos trinta e cinco. 2 x 2. Aos quarenta e cinco, pênalti pra gente. A torcida gritou meu nome. Aceitei a missão e fui bater, pipoca nunca fui. Confesso que tremi na base, eu, que já não sou nenhum moleque. Ajeitei a bola com carinho, roguei a São Judas Tadeu que me iluminasse e bati, forte, no ângulo superior direito do goleiro, na trave. São Judas Tadeu de merda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tira o Chinelinho, bota o Renatinho!, gritava a torcida. Ingratos. O árbitro deu três de acréscimo. O time deles atacava mais que o nosso, de novo sobrevivíamos na base do contra-ataque. Até que o primeiro volante (aquele com o qual gritei no intervalo) roubou uma bola na intermediária de defesa, carregou a bichinha até a entrada da área, numa jogada&lt;em&gt; a la&lt;/em&gt; Maradona, e bateu forte. O goleiro espalmou, escanteio nosso. Bigode bateu no segundo pau, e o primeiro volante (aquele com o qual fui escroto no vestiário) subiu mais que todo mundo e ajeitou pra mim, na marca do pênalti. Peguei num quase voleio, golaço. A torcida veio abaixo. Fica, Cabeça, gritavam. Maravilhosos, pensei emocionado, enquanto corria pra agradecer ao primeiro volante. Bolão, garoto. Disse pro menino. Ele se desvencilhou, olhou nos meus olhos e disse bem alto, vai tomar no seu cú, vovô. Esse tem futuro, pensei. Jogar bola todo brasileiro joga, mas os que têm sangue quente correndo nas veias são raros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao comemorar o gol, tirei a camisa. O juíz veio e me deu o segundo amarelo. Expulso. Cuspi na cara dele. É bom, né?, perguntei enquanto saia do campo guiado por Bigode que, inclusive, me disse, arrebentou, Cabeça, quem foi rei não perde a majestade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O nosso time ganhou e foi à semi-final. O presidente do clube me procurou e, ainda no vestiário, me implorou pra jogar até o fim do campeonato. Eu não quis. Meu tempo acabara, era a vez dos Renatinhos da vida. E, já de saída, quando ele me perguntou o que eu queria como retribuição pelos serviços prestados, se mulheres, dinheiro, cocaína, o que fosse, eu lhe pedi que desse a camisa dez ao primeiro volante, que aquele ali era merecedor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque a dez é, acima de tudo, um símbolo de honra. Habilidade qualquer Ronaldinho Gaúcho tem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu velho joelho, depois de hoje, não aguentaria nem mais subir escada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-116416298230888503?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/116416298230888503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=116416298230888503' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/116416298230888503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/116416298230888503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/11/o-craque-da-camisa-nmero-10.html' title='O Craque da Camisa número 10'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-116027479157647861</id><published>2006-10-07T22:49:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T23:42:46.026-03:00</updated><title type='text'>Sem reais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sem falsas modéstias: se há uma coisa que eu faço muito bem na vida é me barbear. Pego o velho pincel - que minha mãe jura que era o que meu pai usava - e o embebedo de espuma. Vejam bem, essa hora é fundamental, você não pode errar na quantidade, senão danou-se. Se você usa muita espuma, na hora crucial de passar a navalha, você cortará os fios, que estarão submersos pelo creme, pela metade, e não por inteiro, como deve ser. Esse é um erro muito comum: aparar a barba ao invés de raspá-la. Já se, por outro lado, você usa menos creme do que deve, a navalha, que é fria e impiedosa como as mulheres - e que, assim como as mulheres, urge ser domada por mãos hábeis - aprofundará na sua pele e cortará mais do que pelos, dando aquela textura de lixa ao seu rosto. Portanto, como comprovado acima, não se pode errar na quantidade de espuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o pincel corretamente embebido do creme de barbear toco meu rosto. Com leveza, desenho círculos nas bochechas, no queixo, pescoço, bigode, até que minha cara esteja toda branca. Lavo o pincel e o guardo dentro da velha caneca - que minha mãe jura que era onde meu pai também o guardava - que está desde sempre sobre a pia. Pego a navalha, troco a lâmina. Agora sou samurai, e em golpes longos, firmes e decididos acabo com todos os pêlos. E a cara fica limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limpa o suficiente pra ter coragem de sair pela porta e encarar o mundo. Hoje eu não volto pra casa sem os cem reais. São sete e meia, eu tenho dezesseis horas e meia antes de virar amanhã. Tem que ser hoje. Eu não volto pra casa sem os cem reais. Cem dividido por dezesseis e meio dá seis ponto zero seis. Seis reais e seis centavos por hora, dez centavos por minuto. Se eu catar moedas acho que arrumo. Catar moedas é meio feio, é diferente de catar bitucas. Ninguém joga moeda fora, as pessoas perdem suas moedas. Diferentemente das bitucas, que são lançadas ao chão depois de alimentado o sistema nervoso central - ou parte dele. As bitucas pertencem ao asfalto, foram lançadas nele, são frutos coletivos pra quem quiser se saciar antes da próxima chuva. As moedas caem e fazem falta, atrapalham as pessoas, são pãos que não serão comprados. Sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no centro da cidade, nove horas da manhã, uma hora e meia depois. O maço cheio de bitucas podres e molhadas, com honrosas excessões ainda grandes e em bom estado, explicam que não tenho nenhuma moeda. Devo correr atrás do tempo que já perdi. Eu não volto pra casa sem os cem reais. Penso em lavar uns carros, dez carros a dez reais cada, mas tô de roupa social, e os flanelinhas são muito unidos, me espancariam se eu entrasse no mercado deles sem pedir. Essa cidade é toda dividida em linhas imaginárias, pequenos meridianos de Greenwich, e cada linha tem um chefe, e cada chefe tem poder. São todos uns cachorros bípedes, mijando sobre linhas imaginárias, demarcando território. E se tem uma coisa que eu temo nessa vida é cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lavadores de carro, os placa-humanas, os vendedores de cd, de miçangas, de maconha, os engraxates, os assalariados, os vigias, os pastores, nenhum deles quer mais um concorrente em seu meio. A vida tá dura pra todos eles, digo, nós. Eu não tenho classe e nem possibilidade de ascender a uma. Mas eu não volto pra casa sem meus cem reais. E há de ser hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá se vão seis horas, alguns litros de água perdidos no suor, trinta e seis reais que não arrumei e já perdi. Eu falo alemão, estudei filosofia e tai chi. Talvez se eu fizesse um número as pessoas me pagariam. Vamos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tai-chi é uma arte marcial um pouco monótona, e os transeuntes estão acostumados com Van Damme. Fato é que duas horas imitando, lenta e concentradamente, o movimento de um tigre não me renderam sequer dez centavos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltando-me conhecimentos orientais além do quase kung-fu que aprendi nos livros - e que não me valeu nada no quesito financeiro - não consigo dominar a fome como o fazem os eremitas. Tomo um lanche com o dinheiro do ônibus de volta. Reabastecido, eis que vejo meu oásis: uma barbearia. Unirei o útil ao agradável, ganharei um bom dinheiro fazendo o que melhor sei. Entro. Boas tarde, digo. Boa noite, responde o turco que corta o cabelo de outro turco, já são seis e quarenta. É, gaguejo, hoje saí sem o relógio (mentira, eu não tenho relógio). Hm, grunhe o turco. Então, queria saber se o senhor precisa de alguém pra trabalhar aqui, tenho talento, digo. Ele me olha e ri, e diz que se talento fosse algo o Zidane teria ganho a copa, e que ele trabalha sozinho há trinta e dois anos e não precisa de ninguém pra ajudá-lo, e que mesmo se precisasse não seria hoje, já de noite, com a barbearia fechando. Me despeço e saio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não tem ninguém no centro comercial da cidade, as possibilidades de emprego se esvairam com os cães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cometeria um latrocínio. Se tivesse menos estudo e/ou mais culhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tenho três quimbas pras quatro horas de caminhada até em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente sempre volta pra casa, com ou sem os cem reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no outro dia de manhã farei a barba que ainda nem terá nascido com a mesma dedicação. E sairei de casa com a cara limpa. Mas nem tanto assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-116027479157647861?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/116027479157647861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=116027479157647861' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/116027479157647861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/116027479157647861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/10/sem-reais.html' title='Sem reais'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-115810368110497445</id><published>2006-09-12T19:58:00.000-03:00</published><updated>2006-09-25T01:09:47.093-03:00</updated><title type='text'>Sempre setembro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele acordou, meio bêbado, às onze da manhã. Começara a comemorar na noite anterior, à meia-noite, exatamente como se faz no Natal. Só foi dormir às sete, duas garrafas de vodka depois, gargalhando freneticamente com as notícias do primeiro telejornal. Já desperto, com a ressaca pulsando na têmpora, lembrou-se de como aquele dia era feliz, e como tudo conspirava pra endossar isso, inclusive o sol - que estava mais amarelo que de costume, e o ventilador - mais potente que o usual. E então a ressaca passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoçou no bar da esquina - rabada com agrião - e voltou pra casa. Abriu um espumante e soltou fogos de artifício, como se faz no reveilon. Era um ano novo. Ano novo há cinco anos. Uma nova era, diriam os místicos mais otimistas. Mas ele não era místico, nem lá muito otimista. Após ouvir o novo cd do Bob Dylan foi tirar um cochilo. O rádio relógio despertou - tocando I Wanna Rock and Roll All Night - às seis da tarde. Era hora da ação. Vestiu sua mesma capa preta habitual. Pensou em botar a máscara, desistiu. Existem muitas pessoas com muitas cicatrizes no rosto em São Paulo, suas queimaduras chamariam menos atenção do que a máscara de louça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou o metrô. Sentou-se ao lado de um porteiro paraibano, José de Arimatéia. Falaram sobre futebol. A conversa tá muito boa, mas tenho que descer, seu Zé, foi um prazer te encontrar e esse ano é do Corínthians. É do São Paulo e ninguém tasca, homem, mas tá certo, seu moço, vá com Deus, vamos combinar uma cerveja, tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O edifício ficava próximo à estação do metrô. Foi uma caminhada breve e prazerosa, graças à brisa suave que soprava. Chegando ao seu destino, parou do outro lado da rua e ficou a observar. Percebeu quando a moça desceu e entrou no carro. Marcou dois minutos, e subiu pela escada de incêndio - depois de dar dez reais ao vigia noturno, quantia esta que compraria um silêncio eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utilizando-se de seus conhecimentos de escalada - que aprendera ainda na escola - entrou pelo apartamento do lado - que, já havia averiguado, estava vazio há meses, posto pra alugar - e pela janela entrou na casa do alvo. O velho estava sentado na cadeira, assistindo ao Cidade Alerta. Coronel, ele disse, e Ubiratan virou-se, já desesperado - diferentemente de 14 anos atrás - e implorou, chorando como uma colegial, por sua vida. Não posso, cento e onze homens esperam ansiosamente pelo reencontro contigo. Deu-lhe um tiro seco, na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou pra casa de metrô, e telefonou do orelhão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hartigan?&lt;br /&gt;- Diga, V.&lt;br /&gt;- Está feito.&lt;br /&gt;- Ótimo. Mas me diga, você não deixou florzinha rosinha nem nada que possa te incriminar, né?&lt;br /&gt;- Não. Foi à moda paulistana, taurus 38, tiro na nuca.&lt;br /&gt;- Melhor assim.&lt;br /&gt;- E como vai Nancy?&lt;br /&gt;- Linda como sempre. Até logo, V.&lt;br /&gt;- A gente se encontra, Hartigan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V chegou em casa, beijou a imagem de São Miguel Arcanjo e tomou o último trago da vodka que sobrara. Colocou Racionais na vitrola e gritou da janela: Eu lembro, eu lembro, onze de setembro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém respondeu. Mas ele não esperava resposta. Não antes dos jornais noticiarem a boa nova. &lt;br /&gt;Enquanto Hartigan, do outro lado da cidade, pensava em como incriminaria outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher de monstro, monstro é. Uma cadela é presa, um herói continua livre. Assim é a vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu lembro, eu lembro, onze de setembro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-115810368110497445?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/115810368110497445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=115810368110497445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/115810368110497445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/115810368110497445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/09/sempre-setembro.html' title='Sempre setembro'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-114860994400232961</id><published>2006-05-25T23:14:00.000-03:00</published><updated>2006-05-25T23:19:04.016-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Eu nunca gostei de música até ouvir Johnny Cash.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-114860994400232961?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/114860994400232961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=114860994400232961' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114860994400232961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114860994400232961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/05/eu-nunca-gostei-de-msica-at-ouvir.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-114800378530020744</id><published>2006-05-18T22:52:00.000-03:00</published><updated>2006-05-18T23:00:10.963-03:00</updated><title type='text'>Até morrer</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(para e pelo Flamengo, que é como a Palestina.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pele é preta&lt;br /&gt;O sangue é vermelho&lt;br /&gt;Quem tem estrela nos pés&lt;br /&gt;veste a número dez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é preto&lt;br /&gt;A carne é vermelha&lt;br /&gt;E vermelho é o sol&lt;br /&gt;insistindo em se por&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O craque é preto&lt;br /&gt;Vermelha, a esperança&lt;br /&gt;E o futebol é a dança&lt;br /&gt;dançada apesar do chão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-114800378530020744?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/114800378530020744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=114800378530020744' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114800378530020744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114800378530020744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/05/at-morrer.html' title='Até morrer'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-114600527795298057</id><published>2006-04-25T19:35:00.000-03:00</published><updated>2006-04-25T19:50:17.326-03:00</updated><title type='text'>1, 2, 3.</title><content type='html'>- Eu só sou feliz enquanto estou cagando, desabafa o 1.&lt;br /&gt;- Ih, caralho... Responde o 2, com uma certa preguiça.&lt;br /&gt;- Caralho o quê, véi?&lt;br /&gt;- Tu e suas filosofia.&lt;br /&gt;- Né filosofia não, tô dando a real, abrindo o coração.&lt;br /&gt;- O coração ou o cu?&lt;br /&gt;- O coração, porra. Eu só me sinto realizado quando me sento no vaso, acendo um cigarro, penso na vida, leio os anúncios das putas no jornal, forço a barriga, ouço o barulho do tolete tocando a água. É nessa hora, e só nessa hora, que eu me sinto completo.&lt;br /&gt;- E com mulher, mano? Tu não gosta de mulher não?&lt;br /&gt;- Gosto, mas não é a mesma coisa. A concentração que precede o gozo exige muito mais sacrifício que a que precede a merda.&lt;br /&gt;- Disso eu não sei, comigo é dois palito, botei, bombei umas dez vezes, gozei.&lt;br /&gt;- Pobre da tua mulher.&lt;br /&gt;- Ela gosta, mulher se acostuma a tudo. Se acostuma ao poeta e ao machão. Toma tapa na cara e bebe vinho francês, não gosta de nenhum dos dois, mas acostuma. O caráter da mulher é como a boceta dela: elástico.&lt;br /&gt;- E eu que filosofo?&lt;br /&gt;- To falando de buceta, assunto de bandido.&lt;br /&gt;- E bandido não caga não?&lt;br /&gt;- Bandido rouba banco - diz o 3, que é o calado e inteligente.&lt;br /&gt;- É mesmo - 1 e 2 ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os três se levantam da cadeira onde esperavam pra falar com o gerente e gritam ao mesmo tempo: Todo mundo pro chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem quiser ir pro céu é só ficar de pé, diz o 3 - o prático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As mulheres sairão primeiro, diz o 2 - conquistador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde fica o banheiro?, pensava o 1 segurando, meio distraído, sua Magnum 44.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-114600527795298057?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/114600527795298057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=114600527795298057' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114600527795298057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114600527795298057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/04/1-2-3.html' title='1, 2, 3.'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-114523898349571586</id><published>2006-04-16T22:50:00.000-03:00</published><updated>2006-04-16T22:56:23.520-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Toque meus pés e sinta meus calos:&lt;br /&gt;Eles não querem dizer que eu fui a lugar nenhum&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-114523898349571586?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/114523898349571586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=114523898349571586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114523898349571586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114523898349571586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/04/toque-meus-ps-e-sinta-meus-calos-eles.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-114326140266221684</id><published>2006-03-25T01:28:00.000-03:00</published><updated>2006-03-25T01:36:42.680-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O menino se masturba no chuveiro, o pai - capitão do Exército - se masturba no quarto, entre cobertores, e a mãe corta um pepino na cozinha. O menino pensa na Eliana, o pai pensa no jardineiro e a mãe pensa que deveria ter casado com aquele vistoso pepino. Tá pronto, grita a matrona, do altos dos seus noventa quilos. O pai se limpa na fronha, o menino ainda não tem o quê limpar. Ambos vão à cozinha e sentam-se à mesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após a oração, feita em voz alta pelo patriarca, a mãe diz que a vizinha anda muito estranha, saindo em carros diferentes, roupas curtas e coisa e tal. O pai, pensando em como ficaria o jardineiro naqueles micro vestidos que a moça costuma usar, diz em voz alta que aquilo é uma putaria, que a vizinhança estava decaindo em seus padrões morais. O filho resmunga que nunca se casaria com uma vadia daquelas. A mãe amaldiçoa em silêncio as belas coxas da moçoila e pensa em rezar um terço para que elas sejam comidas pelas varizes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o sol quente do meio-dia aquece a gente ordeira e pacata de Minas Gerais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-114326140266221684?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/114326140266221684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=114326140266221684' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114326140266221684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/114326140266221684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/03/o-menino-se-masturba-no-chuveiro-o-pai.html' title=''/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-113722120226663259</id><published>2006-01-14T04:09:00.000-02:00</published><updated>2006-01-14T04:55:40.743-02:00</updated><title type='text'>Rogando praga</title><content type='html'>Senhores degustadores de vinho de Bordeuax;&lt;br /&gt;você que aprecia a alta gastronomia,&lt;br /&gt;o cinema de vanguarda, o novo rock inglês&lt;br /&gt;e os filósofos existencialistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carríssimos freqüentadores de galerias de arte;&lt;br /&gt;você que vai ao teatro,&lt;br /&gt;você que vai ao café mais badalado do momento&lt;br /&gt;pra compartilhar da presença dos notáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhores antenados,&lt;br /&gt;politicamente corretos,&lt;br /&gt;discretos e elegantes&lt;br /&gt;tenazes em suas análises&lt;br /&gt;da atual conjuntura política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matilha de veados,&lt;br /&gt;que vocês morram enforcados&lt;br /&gt;com seus próprios cachecóis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-113722120226663259?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/113722120226663259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=113722120226663259' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113722120226663259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113722120226663259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/01/rogando-praga.html' title='Rogando praga'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-113696142789112266</id><published>2006-01-11T04:18:00.000-02:00</published><updated>2006-01-11T19:12:20.080-02:00</updated><title type='text'>Da ligação entre as coisas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O Cobrador assiste televisão pra aumentar o ódio, o Dalai Lama nem sabe o que é isso. Por isso foi expulso do Tibet, se fosse o Cobrador não o teria sido. O Cobrador sabe que quando não se tem dinheiro é bom ter músculos, pro Dalai Lama basta uma cuia de arroz e meia horinha de meditação. Aposto que ele não tem televisão e que se tivesse não se irritaria com ela. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Cândido achava tudo muito bonito até que viu um monte de desgraça e decidiu trabalhar a terra, Severino era feio, sempre soube que tudo era feio e no final teve direito a um lote sete palmos abaixo da superfície. Cândido não virou Severino, talvez por ser europeu, e nem morreu no fim. Severino nasceu Severino, foi sempre assim e morreu assim, como Gabriela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O Estrangeiro matou um árabe por causa do calor, mas ele não era judeu. Judeu era Einstein, um dos culpados por Hiroshima. Se em Hiroshima fizesse calor teria sido O Estrangeiro um piloto de avião? Se os Estados Unidos tivessem perdido a Guerra Fria Einstein seria o 'homem mais inteligente de todos os tempos'? O Estrangeiro era guiado pelo sono, e isso, pra mim, o absolve. O mesmo não posso dizer do outro, apesar do ar bonachão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Harry Potter está para Monteiro Lobato assim como a Bíblia está para Paulo Coelho. Que me perdoem os nacionalistas, mas enquanto a Cuca - prima do Saci - vive numa caverna assustando os outros só porque é feia, enquanto Pedrinho pega manga no pé e Tia Nastácia faz doce de marmelo, Harry Potter, Dumbledore, Rony e Hermione colocam a vida em risco na luta contra Aquele-que-não-deve-ser-nomeado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Sílvio Santos foi paraquedista em mil novescentos e guaraná-de-rolha, já Galdalf caiu - sem querer - quando o monstro quebrou a ponte e foi caindo até o mais fundo ponto da terra. Sílvio Santos resolveu passar a vida no fundo do poço, mas com o bolso cheio. Gandalf não só voltou das tripas do mundo como de lá foi ao pico mais alto, numa metáfora para sua evolução. E o Pelegrino Branco tinha cabelos brancos como Ariel Sharon, que cairia muito mais rápido graças à sua gordura e se esbagaçaria no chão. Mas isso não foi preciso porque Alá estourou umas veias de seu cérebro - de Herr Sharon - e ele virou um vegetal, e vegetal será - como o Visconde de Sabugosa - pelo resto dos dias que lhe sobram, caso infelizmente lhe sobre algum. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E foi essa notícia - do derrame que transformou um porco num alface - que fez com que o Cobrador, que assiste televisão apenas pra aumentar seu ódio, entendesse o significado de Boas Novas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-113696142789112266?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/113696142789112266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=113696142789112266' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113696142789112266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113696142789112266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/01/da-ligao-entre-as-coisas.html' title='Da ligação entre as coisas'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-113678792231543356</id><published>2006-01-09T04:11:00.000-02:00</published><updated>2006-01-09T04:25:53.216-02:00</updated><title type='text'>Well, well, well Ariel...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6679/1176/1600/presidentedoira.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6679/1176/320/presidentedoira.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="data"&gt;&lt;span class="not_sinopse"&gt;&lt;span class="not_local"&gt;Teerã - &lt;/span&gt;&lt;span class="not_texto"&gt; O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse ter a esperança de que o premier de Israel, Ariel Sharon, morra. Sharon está internado em estado grave, depois de sofrer um derrame cerebral e passar por sete horas de cirurgia. "Espero que as notícias de que o criminoso de Sabra e Chatila se uniu a seus ancestrais sejam definitivas", teria dito Ahmadinejad, de acordo com a Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="data"&gt;&lt;span class="not_sinopse"&gt;&lt;span class="not_texto"&gt;(...) Nos últimos dois meses, o líder iraniano referiu-se ao Holocausto como um "mito" e que se os europeus realmente acreditam que crimes foram cometidos na 2ª Guerra Mundial contra os judeus, deveriam instalar o Estado de Israel na Europa. Ele também pediu que Israel fosse "riscado do mapa".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="data"&gt;&lt;span class="not_sinopse"&gt;&lt;span class="not_texto"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; *Falou e disse.*&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-113678792231543356?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/113678792231543356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=113678792231543356' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113678792231543356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113678792231543356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2006/01/well-well-well-ariel.html' title='Well, well, well Ariel...'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-113580133888070816</id><published>2005-12-28T18:08:00.000-02:00</published><updated>2005-12-28T18:35:50.106-02:00</updated><title type='text'>Feliz Ano Novo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parou um carro ao nosso lado e o motorista disse, tem umas roupas aqui, vocês querem? A gente queria, nossos trapos já estavam puídos. Tão tudo em bom estado, disse o moço ao volante. A cavalo dado não se olha os dentes, respondi, não sem um pouco de ironia. Fizemos a partilha e não foi díficil. Eu era a única mulher, então, logicamente, todas as roupas femininas vieram pra mim - menos uma jaqueta que o Sorriso, que é meio bicha, quis pra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me separei deles. Não queria começar mais um ano junto daqueles cachaceiros, ia trazer mais azar ainda pro ano que chegava. Odeio cachaceiro, só bebo Sidra Cereser sabor cereja, e muito socialmente, que fique claro. Fui a pé até a Rodoviária e levei comigo minha necessaire - sacola onde guardo um desodorante e um pedaço de sabão em barra. Me arrumei no banheiro. Lavei o cabelo, os sovacos e a boceta na pia. Me enxuguei com a roupa velha - que eu jogaria fora antes do virar do ano - e vesti o novo modelito. Um vestido vermelho, e uma sandália de salto alto que o homem do carro me dera. Joguei desodorante pelo corpo todo, fiquei muito perfumada, linda. E fui ver a queima de fogos na Esplanada dos Ministérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rapaz bonito, desses da Asa Sul, forte e com tatuagem no braço, olhou pra mim e me desejou um feliz ano novo. Ele estava me paquerando. Só não dei pra ele porque sou difícil. Sorri - os dentes que me sobram estão em bom estado - e retribuí o voto de felicidades. Ele sumiu na multidão e eu me entristeci um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, alguns minutos depois, quando o Sorriso - que já estava bêbado - me encontrou no meio de toda aquela gente e me deu uma garrafa de Sidra Cereser sabor cereja que roubara, eu pensei que aquele ano poderia ser melhor. Nêga, ele me disse, isso fica pela jaqueta tá? Fiquei tão feliz que até pensei que não era tão ruim assim começar mais um ano ao lado dele e dos outros cachaceiros. No fundo acho que eles são a minha família.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-113580133888070816?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/113580133888070816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=113580133888070816' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113580133888070816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113580133888070816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2005/12/feliz-ano-novo.html' title='Feliz Ano Novo'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-113357081402459656</id><published>2005-12-02T22:40:00.000-02:00</published><updated>2005-12-02T22:54:22.466-02:00</updated><title type='text'>Água Mineral</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; Todos os grandes homens da história da Humanidade foram ou são solitários. Jesus Cristo foi abandonado pelo pai e erguido &lt;st1:personname productid="em cruz. Ch￪ Guevara" st="on"&gt;em  cruz. Chê Guevara&lt;/st1:personname&gt; foi abandonado pelos latino-americanos e destrinchado &lt;st1:personname productid="em balas. Paulo Leminski" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em balas. Paulo" st="on"&gt;em balas. Paulo&lt;/st1:personname&gt;  Leminski&lt;/st1:personname&gt; foi encontrado uma semana depois de morrer, creio que pelo cheiro e não pela falta que fazia – fez e fará – ao mundo. E aquele pintor lá chegou até a cortar a orelha, talvez por não ter vendido sequer um quadro &lt;st1:personname productid="em vida. O" st="on"&gt;em vida. O&lt;/st1:personname&gt; homem sobre o qual vou falar também passou a vida em solidão, mesmo que acompanhado. Mas como a vida é um truque de mágica e a história uma puta caprichosa, talvez ele também conheça a ressurreição, e depois dela a eternidade, como os que citei antes. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;Já passava das cinco, se não fosse mais, quando eu o vi pela primeira vez, e não notaria a sua presença se não fosse a sua deselegância. Era muito magro e andava feito um pingüim, e quando falava – sempre alto, em tom messiânico – juntava cuspe nos cantos da boca. Estávamos os dois no mesmo lugar, na Rua do Cu, Conic, Brasília, Brasil. Mas com motivos diferentes: eu procurava, de fato, um cu – de mulher, esclareço - , e o objetivo dele era dar água mineral pras prostitutas e os travestis beberem. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Venham beber água, ele dizia, e ria, e gesticulava, e oferecia mais água, água, água. Eu achei estranho, passando de carro ali àquela hora, já meio de porre, e um pingüim esquelético fazendo aquela cena. Mas achei a bunda que procurava, ou pelo menos o mais próximo dela, acertei o preço, saí, trepei em pé numa escada, paguei, e levei a moça de volta ao local do seu trabalho. E chegando lá, ainda estava o infeliz oferecendo água àqueles fodidos. Como a minha ressaca já estava baixando – quem sofre dessa doença sabe como é – e já se iniciava a dor de cabeça, resolvi comprar uma garrafinha com o pingüim. Quanto que tá?, perguntei. Não sou comerciante, ele disse e sorriu, e ele tinha muita saliva no canto da boca e um dente da frente quebrado ao meio. Me estendeu a garrafa e disse, me cumprimentando: Antônio, seu semelhante. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu, curioso, iniciei uma conversa casual, dessas de elevador, pensando em chegar, no momento oportuno, à grande questão. E falamos de besteiras, de futebol, do calor que não arriava nem durante a noite, duas piadas de português, risos meio forçados, e ele continuava oferecendo água, e os travecos se deliciando como se fosse Martini.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E já era manhã quando as garrafas acabaram e ele deu tchau às bonecas, chamando-as pelo nome, e muito feliz me disse que ia pra rodoviária pegar o ônibus. Pra onde vai?, perguntei. Ele ia pra Taguatinga, eu moro &lt;st1:personname productid="em Sobradinho. Mas" st="on"&gt;em Sobradinho. Mas&lt;/st1:personname&gt; pra descobrir o porquê daquela coisa toda aquática, valia a pena os 10 reais de gasolina. Te dou uma carona.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mesmo estando muito feliz, ele continuava arredio, e eu fiquei com medo de fazer-lhe a pergunta. Só a fiz quando parava o carro na frente do seu edifício – um daqueles prédios com mais de 15 andares – Porque essa coisa de dar água pras putas, Antônio? Ele me olhou dentro dos olhos, tão sério que pensei que fosse levar uma cabeçada. Amigo, ele disse, a água do mundo tá acabando, sabia? Os seus netos, e não os meus porque sou estéril, na melhor das hipóteses, vão usar a pouca água que restar como ouro, moeda de troca valiosíssima, dollar, essa merda toda. Na pior das hipóteses vão morrer no útero porque a mãe deles não terá água pra beber. Se a festa vai acabar, quem deve dançar mais? É claro que os penetras. Os fodidos merecem beber água enquanto água ainda há, porque ela será mais uma coisa boa que deles será roubada. É uma questão de lógica, irmão. Se o chocolate vai acabar, você deve dá-lo pro irmão mais novo, ou pro mais feio. Você é burro ou filho único? Disse com ódio, e gotículas de cuspe me molharam a cara, e ele saiu batendo a porta do carro. Eu tinha quatro irmãos e pouca sensibilidade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ainda tentei uma reaproximação, você é tipo um ecologista, então?, perguntei. Não, lógico que não, ele disse, já fora do carro, com mais ódio ainda. Os ecologistas combatem moinhos de vento, eles querem fazer com que a água não se acabe, eles querem deter o inevitável. Eu, como é certo que a água acabará, só quero distribuí-la aos que a merecem, entendeu ou quer que desenhe?&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Voltei pra casa me sentindo o mais burro dos homens.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-113357081402459656?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/113357081402459656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=113357081402459656' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113357081402459656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/113357081402459656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2005/12/gua-mineral.html' title='Água Mineral'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-112942968240201493</id><published>2005-10-15T23:23:00.000-03:00</published><updated>2005-10-15T23:34:42.023-03:00</updated><title type='text'>Vai ter que Hezbollah</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Quando éramos felizes, antes da invenção do comércio, nós andávamos de mãos dadas pelo deserto e eu lhe beijava o olho - que reluzia, em beleza, por causa do véu. Quando éramos saudáveis, antes do descobrimento do petróleo, eu o levava, pequenino, pra jogar bola todos os dias no final da tarde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;Hoje lavo minhas mãos com barro, me ajoelho em direção a Meca e faço minhas preces em silêncio. E digo ao pequeno Salim que a mãe dele virou estrela, e que é também por isso que lhe ensino a jogar pedra em helicóptero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-112942968240201493?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/112942968240201493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=112942968240201493' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/112942968240201493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/112942968240201493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2005/10/vai-ter-que-hezbollah.html' title='Vai ter que Hezbollah'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-112268290288020215</id><published>2005-07-29T21:18:00.000-03:00</published><updated>2005-07-31T00:33:58.083-03:00</updated><title type='text'>Chá das 17:00 horas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando o relógio marcou 16:43, ele se levantou. Conferiu a mochila, estava em ordem, não faltava nada. Relembrou-se do plano que havia dividido em tópicos, para melhor assimilar. Estava tudo pronto. Lavou o rosto, pegou o cigarro, saiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Atravessou a portaria do edifício pontualmente as 16:45, como haveria de ser. Frio no estômago, pernas meio bambas. O corpo não reage muito bem quando percebe estar prestes a realizar algo maior do que conseguiria em condições normais. O corpo quer voltar, o pé quer se torcer nalgum buraco, o suor frio tenta atrapalhar a visão. Mas a mente sabe a que veio, e vai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mochila pesa. As costas dóem. Encontra aquele vizinho tagarela: "oi, tudo bem?". Responde com um aceno de cabeça, não tem tempo a perder. 16:49 entra na estação do Metrô, 2 minutos adiantado. Tempo pra um cigarro. Três tragadas ansiosas. Chega o trem. Entra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos poucos segundos que faltam, uma prece rápida. E a alegria de saber que pelo menos hoje serão eles que recolherão seus pedaços e contarão seus mortos, e não nós. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E quando a tevê filmou o estrago da explosão e a polícia contabilizou os cadáveres, no deserto era enorme a fila de pessoas que queriam apertar a mão do pai daquele que é herói no oriente e terrorista no ocidente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E foi um garoto sem braços e orfão que disse que a Europa precisa saber o que é medo e reconhecer o cheiro de um corpo queimado. Senão eles podem pensar que nós gostamos da diplomacia deles...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não fiquei de luto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-112268290288020215?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/112268290288020215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=112268290288020215' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/112268290288020215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/112268290288020215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2005/07/ch-das-1700-horas.html' title='Chá das 17:00 horas'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13405667.post-112114315444125385</id><published>2005-07-12T01:04:00.000-03:00</published><updated>2005-07-12T01:40:43.180-03:00</updated><title type='text'>Juventude</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os ricos ou nascem velhos, pois do ventre já trazem preocupações do tipo, "como manter e aumentar minha herança?", ou envelhecem sendo crianças, com pele de bebê e sem preocupações que vão desde a lavagem da louça suja ao pagamento do cartão crédito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pobres que querem ser jovens morrem ou são presos antes dos 20. Os que não tem essa ambição, envelhecem antes dos 10, engraxando sapatos, e assim vão até os 50, quando morrem na fila do SUS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A juventude sempre é classe-média. Estuda pra ficar como o rico que envelhece criança e para, assim, também poder pagar 300 reais por mês para que o pobre que envelheceu aos 7 anos limpe sua merda. E morre de medo do pobre que quis ser jovem e ainda não morreu nem foi preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não vão, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não vamos&lt;/span&gt;, mudar o mundo. Vamos, no máximo, mudar pros Estados Unidos para, se tudo der certo, tentar um mestrado ou, se a sorte for má, lavar cadáveres pra eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13405667-112114315444125385?l=danyltonpenacho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/feeds/112114315444125385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13405667&amp;postID=112114315444125385' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/112114315444125385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13405667/posts/default/112114315444125385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://danyltonpenacho.blogspot.com/2005/07/juventude.html' title='Juventude'/><author><name>Dan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02672403611855853994</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
